Justiça condena viúva, irmã e grupo por execução de cartorário em Goiás
Na decisão, o juiz Liciomar Fernandes da Silva destacou a gravidade do crime, ressaltando o impacto causado à família da vítima.

A Justiça condenou a viúva de um cartorário e a irmã dela pelo assassinato ocorrido em Rubiataba, na região central do estado. As duas deverão cumprir pena em regime fechado e não poderão recorrer em liberdade. Alyssa Martins de Carvalho Chaves foi sentenciada a 30 anos de prisão, enquanto Aleyna Martins de Carvalho recebeu pena de 24 anos, 11 meses e 27 dias.
O julgamento foi realizado na sexta-feira (27), mais de quatro anos após a morte de Luiz Fernando Alves Chaves, de 40 anos. De acordo com as investigações, ele foi rendido dentro de casa, colocado em seu próprio veículo e executado na noite de 28 de dezembro de 2021.
Na decisão, o juiz Liciomar Fernandes da Silva destacou a gravidade do crime, ressaltando o impacto causado à família da vítima. Segundo ele, além da perda do pai, os três filhos menores ficaram em situação de abandono, já que a mãe também foi presa pelo envolvimento no homicídio. O magistrado também apontou que o crime interrompeu a estabilidade financeira que a atividade cartorária poderia garantir à família.
A negativa ao direito de recorrer em liberdade foi fundamentada no tamanho das penas — superiores a oito anos — e na manutenção dos requisitos que justificaram a prisão preventiva das rés.
Outros envolvidos
Além das duas condenadas, outras cinco pessoas foram responsabilizadas pela participação no crime. Conforme apurado, o grupo atuou de forma organizada, com divisão de funções no planejamento e na execução.
Entre os condenados estão:
- Ana Cláudia da Silva Rosa, apontada como idealizadora junto com Alyssa, condenada a 28 anos, 1 mês e 12 dias;
- Luizmar Francisco Neto, considerado o principal articulador, com pena de 31 anos e 6 meses;
- André Luiz Silva, responsável por recrutar os executores, condenado a 24 anos, 11 meses e 27 dias;
- Edivan Batista Pereira, um dos executores, sentenciado a 41 anos, 6 meses e 27 dias;
- Laurindo Lucas Gouveia dos Santos, que atuou como motorista e também participou da execução, condenado a 26 anos, 5 meses e 13 dias.
Segundo o Ministério Público, Luizmar organizou a ação criminosa, fornecendo informações detalhadas sobre a rotina da vítima e entregando itens utilizados no crime, como chaves da residência, controle do portão e materiais para imobilização.
A investigação também apontou que Alyssa e Ana Cláudia mantinham um relacionamento e, juntas, teriam planejado a morte do cartorário, contratando tanto a logística quanto a execução do assassinato. Já André Luiz foi responsável por fornecer a arma utilizada.
Promotores destacaram ainda a violência empregada pelos executores. De acordo com a acusação, a vítima foi atingida por diversos disparos, mesmo após pedir para não ser morta. A Polícia Civil também relatou que, após o crime, os envolvidos seguiram a rotina normalmente, chegando a parar para lanchar.
Dinâmica do crime
Na noite do crime, Luiz Fernando estava em casa estudando, enquanto a esposa havia saído com os filhos para ir à igreja. Os criminosos entraram na residência utilizando controles de acesso e renderam a vítima.
O cartorário foi levado em sua caminhonete até uma área de canavial no município de Uruana, a cerca de 20 quilômetros de Rubiataba. No local, ele foi morto com vários tiros. O corpo foi localizado na madrugada do dia seguinte.
Durante as investigações, relatos indicaram que a vítima chegou a implorar pela própria vida, afirmando ser pai de três crianças, na tentativa de sensibilizar os criminosos.

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