Justiça obriga delegado a apagar vídeo que critica juiz por soltar membro do PCC
Decisão ocorreu nesta segunda-feira (17) e revoltou Humberto Teófilo, que gravou um desabafo ao Fórum

A Justiça determinou a remoção imediata de conteúdos publicados nas redes sociais pelo candidato a deputado federal Delegado Humberto Teófilo (Novo).
Nas gravações, o ex-deputado e delegado criticava publicamente a concessão de liberdade a Rivonaldo de Moura Xavier, investigado sob a acusação de pertencer à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O criminoso fez ameaças ao delegado e acabou preso em Aparecida de Goiânia.
A controvérsia começou após o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) conceder habeas corpus e soltar de Rivonaldo.
O relaxamento da prisão ocorreu mesmo diante do indiciamento formulado pela Polícia Civil e da denúncia oferecida pelo Ministério Público, que enquadravam o suspeito no crime de organização criminosa.
A decisão favorável ao réu foi proferida pelo juiz substituto em segundo grau Hamilton Gomes Carneiro. O magistrado entendeu que o caso comportava o relaxamento da prisão preventiva sob a reclassificação dos fatos para o tipo penal de associação criminosa — divergindo da tese inicial de organização criminosa mantida pelos órgãos de investigação.
Ao tomar conhecimento do caso, Humberto Teófilo gravou vídeos manifestando sua indignação com o abrandamento das medidas cautelares e questionando a soltura.
O delegado argumentou que a decisão fragiliza o combate ao crime organizado no estado e desfaz o trabalho ostensivo e investigativo realizado pelas forças policiais.
"Quem combate o crime organizado em Goiás acaba sendo afastado das ruas e censurado, enquanto quem é acusado de integrar facção ganha a liberdade para voltar a circular", protestou Teófilo.
Após o questionamento público e ações judiciais motivadas pelas críticas feitas pelo candidato ao desembargador e ao tribunal, a 24ª Vara Cível e de Arbitragem deferiu medida, solicitada pelo magistrado, determinando a retirada dos vídeos das plataformas virtuais.
Mesmo com a determinação de apagar as postagens sob pena de sanções, o delegado reafirmou seu posicionamento de defesa das forças de segurança e prometeu recorrer da decisão judicial para manter o debate sobre a impunidade e a atuação do Judiciário no estado.

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