Após 21 dias, estudante deixa presídio, mas PC mantém investigação por suposto golpe com 300 vítimas
Os advogados também alegam que a família apresentou provas de que a estudante não possui qualquer vínculo com a organização criminosa.

A Polícia Civil do Amapá afirmou que não houve erro de identificação e garantiu que a investigação sobre o suposto esquema de estelionato continuará.
A estudante de Direito Ellen Lorraine Trindade Mateus, de 27 anos, deixou a Penitenciária Feminina de Aparecida de Goiânia nesta sexta-feira (24), após a Justiça do Amapá revogar sua prisão preventiva. Apesar da decisão, a Polícia Civil do Amapá afirmou que não houve erro de identificação e garantiu que a investigação sobre o suposto esquema de estelionato continuará.
Em entrevista, o delegado Breno da Costa, responsável pelo caso, afirmou que o inquérito segue em andamento e que todos os elementos coletados ainda serão analisados antes da conclusão das investigações.
"A investigação precisa continuar até o final. Estão sendo apurados todos os elementos de informação produzidos, apreendidos e depoimentos para, ao final, chegar a uma conclusão sobre a autoria e a materialidade dos fatos", afirmou.
Segundo o delegado, a prisão dos investigados foi decretada para interromper a atuação da organização criminosa, suspeita de aplicar golpes envolvendo a Equatorial Energia.
"Até o momento, não tivemos nenhum novo registro desse golpe no Estado desde a prisão deles. Isso demonstra a eficácia da medida, considerando que foram aproximadamente 300 vítimas", declarou.
Após a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público do Amapá, que decidirá se apresentará denúncia à Justiça.
Justiça revogou prisão
Moradora de Trindade, Ellen foi presa no dia 2 de julho, durante a Operação Fio Desencapado, e permaneceu 21 dias detida.
Ao revogar a prisão preventiva, a Justiça considerou que a semelhança entre os nomes das investigadas, aliada à ausência de indícios de que a estudante tenha recebido valores ou mantido contato com os demais investigados, não justificava a manutenção da prisão.
Defesa fala em erro; polícia discorda
A defesa sustenta que Ellen foi vítima de um erro de identificação e afirma que entregou espontaneamente o celular, senhas bancárias e outros documentos para colaborar com as investigações. Os advogados também alegam que a família apresentou provas de que a estudante não possui qualquer vínculo com a organização criminosa.
Já a Polícia Civil rebate essa versão. Em nota, a corporação afirmou que não houve troca de nomes nem erro de identificação, ressaltando que Ellen foi individualizada durante a investigação e que sua prisão foi autorizada pela Justiça após manifestação favorável do Ministério Público.
Segundo a investigação, a estudante seria responsável pela criação de anúncios falsos na internet para atrair consumidores da Equatorial Energia. Ela é investigada pelos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Enquanto Ellen responderá ao processo em liberdade, dois investigados seguem foragidos: os goianos Marcos Vinicius Souza Takahashi e Mauro Mayer de Castro Oliveira, apontados pela Polícia Civil como integrantes do grupo suspeito de aplicar golpes contra consumidores no Amapá.












