TJGO pode rever multas aplicadas em massa contra ex-secretário da Saúde de Goiânia
A entidade pede que a justiça analise e, se for o caso, anule mais de 1.200 processos e sanções que o TCM-GO aplicou contra Rassi.

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) vai retomar na terça-feira (24), às 13h, o julgamento de uma ação civil pública que questiona a legalidade de um grande número de processos e sanções aplicados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO) relacionados à gestão da saúde pública de Goiânia nos anos de 2011 e 2012, na gestão do ex-secretário Elias Rassi Neto.
O julgamento estava em andamento na 3ª Câmara Cível, mas foi suspenso no dia 10 de fevereiro após pedido de vista de um dos desembargadores, com análise adiada para o próximo encontro.
O que está em disputa
A ação foi proposta pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) contra o Estado de Goiás. A entidade pede que a justiça analise e, se for o caso, anule mais de 1.200 processos e sanções que o TCM-GO aplicou contra Rassi no período em que ele foi secretário municipal de Saúde.
Segundo a ABJD, esses procedimentos foram instaurados de forma excessiva, sem análise individualizada e com decisões automatizadas, e geraram multas que, somadas, ultrapassam valores milionários — em um deles, Rassi foi condenado a pagar o equivalente ao custo total de uma obra pública.
A defensoria da ABJD afirma que essa série de processos não teve base sólida em provas de irregularidades e que feriu princípios como o devido processo legal e a ampla defesa. Por isso, pede que a Justiça declare nulos os atos. Estudos e reportagens também já classificaram o episódio como um exemplo de lawfare, ou seja, uso abusivo do sistema jurídico para atacar um adversário político ou profissional.
Posições das partes
A ABJD e defesa de Rassi dizem que os processos têm caráter coletivo e institucional, afetando não só o ex-secretário, mas o entendimento sobre limites do controle externo e da atuação de órgãos de fiscalização.
A procuradoria do Estado argumenta que a questão é individual e que a ação civil pública não é o instrumento adequado para esse tipo de disputa.
O julgamento é acompanhado por juristas e pela sociedade civil porque pode definir limites sobre como tribunais de contas aplicam sanções a gestores públicos e que papel o Judiciário pode ter ao revisar esses procedimentos.
A decisão que será tomada na próxima terça determinará se a ação continua para análise do mérito (ou seja, do conteúdo das acusações) ou se será mantida a decisão anterior que extinguiu o processo sem julgar o mérito.

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