STF retira sigilo de caso Banco Master e expõe amizade "colorida" entre Ciro e Vorcaro
No documento, a PF aponta que o texto de um projeto para quadruplicar o FGC teria sido redigido dentro do Banco Master.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, retirou nesta terça-feira (16) o sigilo dos inquéritos que compõem a Operação Compliance Zero. A investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça que tem como figura central o banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a derrubada do sigilo, vieram a público registros fotográficos que demonstram uma relação de proximidade entre o banqueiro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em uma das imagens anexadas aos autos, Vorcaro e Nogueira aparecem abraçados, reforçando os laços de afinidade apontados pelos investigadores.
Um dos pontos mais graves revelados pelos documentos diz respeito a uma possível atuação direta de Ciro Nogueira em benefício dos interesses do Banco Master. A Polícia Federal aponta que o texto de um projeto apresentado pelo senador — que visava quadruplicar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), elevando o teto de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante — teria sido inteiramente concebido e redigido pelo departamento jurídico da instituição financeira de Vorcaro.
A suspeita central é de que o senador tenha utilizado seu mandato parlamentar para atender demandas específicas do banco em troca de vantagens indevidas. Em maio deste ano, Ciro Nogueira já havia sido alvo de uma das fases da operação, sendo apontado pela PF como um dos principais destinatários de esquemas de corrupção envolvendo a estrutura do Banco Master.
O caso
A Operação Compliance Zero investiga uma rede complexa de movimentações financeiras suspeitas. A Polícia Federal busca determinar a extensão dos danos ao sistema financeiro e como agentes públicos teriam atuado para blindar os negócios de Daniel Vorcaro.
Com a liberação das provas documentais pelo ministro André Mendonça, a defesa do senador e dos demais investigados deverá se manifestar sobre os arquivos que agora compõem o processo público. As investigações continuam sob sigilo em outros aspectos para garantir a eficácia das diligências em curso.












