“Senti meu corpo derretendo”, relata vítima incendiada por “colega" na escola; veja vídeo
Islane Pereira Saraiva Xavier foi condenada a 8 anos e 3 meses de prisão em regime fechado e teve a prisão decretada após o julgamento em Goiânia

Islane Pereira Saraiva Xavier, de 22 anos, foi condenada a oito anos e três meses de prisão, em regime fechado, por atear fogo em uma colega dentro de uma escola estadual em Goiânia. O julgamento, realizado nesta terça-feira (7), foi marcado por forte comoção, principalmente durante o depoimento da vítima, que detalhou o trauma físico e psicológico vivido desde o ataque, ocorrido em 2022.
A condenada, Islane Pereira Saraiva Xavier, estava em liberdade até a decisão judicial, mas teve a prisão decretada após a sentença. O caso aconteceu no Colégio Estadual Palmito, durante o intervalo das aulas, quando a vítima, Marianna Christina Gonçalves Areco Santos, então com 17 anos, foi surpreendida no pátio da escola.
Marianna foi a primeira a ser ouvida no julgamento e emocionou o plenário ao relembrar o momento do crime. Em um dos trechos mais impactantes do depoimento, descreveu a sensação vivida ao ser atacada.
“Eu senti o meu corpo inteiro derretendo, eu batia no meu rosto, eu só gritava, eu estava surda, eu não conseguia ouvir ninguém. Eu só gritava e batia no meu rosto e não conseguia abrir o olho”, afirmou.
A jovem também disse que nunca teve qualquer relação com a agressora.
“Eu nunca falei com ela, nunca sequer olhei pra ela, a ponto de imaginar alguma coisa. Ela nunca esteve na minha imaginação, era só mais uma aluna novata na sala”, declarou.
Após o ataque, Marianna ficou internada por 63 dias, sendo 27 deles em estado grave na UTI. Ela sobreviveu, mas relatou durante o julgamento as dificuldades enfrentadas na retomada da rotina e os traumas que carrega até hoje.
A ré confessou o crime e alegou ter agido por se sentir vítima de bullying, versão que foi negada pela vítima. Em depoimento, Islane afirmou que se sentia excluída e observada por Marianna e um grupo de amigas.
“Eu via sempre ela com um grupo de amigas, sempre conversando, rindo e olhando pra mim”, disse. Questionada se havia procurado a direção da escola para relatar o suposto bullying, respondeu que não.
Segundo a denúncia, Islane jogou álcool no corpo da colega e, em seguida, ateou fogo. O caso teve grande repercussão à época e voltou a mobilizar familiares e a opinião pública durante o julgamento.
A Defensoria Pública informou, em nota, que só irá se manifestar nos autos do processo e não confirmou se pretende recorrer da decisão.












