Prefeitura quer gastar R$ 2,4 milhões com rodeio, mas Justiça "barra" dinheiro público
MP aponta que município quer bancar rodeio enquanto enfrenta problemas em áreas como esgoto, lixão e atendimento a idosos e pessoas com deficiência

Com a decisão, a realização do Rodeio Show 2026 fica impedida de receber dinheiro público até nova determinação judicial.
A Justiça determinou a suspensão do uso de recursos públicos para a realização do 4º Rodeio Show 2026 de Firminópolis, previsto para acontecer no fim de julho. A decisão atende a um pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO), que questionou os gastos milionários com a festa diante de problemas considerados prioritários no município.
A liminar, concedida pela Vara das Fazendas Públicas, também suspendeu contratos administrativos já firmados para o evento e proibiu novos repasses de dinheiro público. Caso a determinação seja descumprida, gestores responsáveis e representantes das empresas contratadas poderão sofrer multa diária de R$ 50 mil, limitada ao período de 30 dias.
A ação foi apresentada pelo promotor Ricardo Lemos Guerra, titular da Promotoria de Justiça de Firminópolis. Segundo o MPGO, os valores previstos para o rodeio não seriam compatíveis com a situação financeira da cidade, que ainda enfrenta demandas básicas sem solução.
Entre os problemas citados estão a recuperação da área do antigo lixão, a implantação de serviços de acolhimento para idosos e pessoas com deficiência, melhorias na Casa Lar Luz no Caminho, compensação ambiental de área pública e a falta de rede de esgoto.
Na análise do pedido, a juíza Keylane Karla Baêta destacou que o próprio município informou previsão de gasto de R$ 1,94 milhão apenas com as atrações musicais do rodeio. Além disso, despesas como estrutura de palco, iluminação, sonorização, arquibancadas e banheiros químicos ainda não estavam totalmente fechadas, mas tinham estimativa de mais R$ 500 mil.
Com isso, o custo total projetado para a festa chegaria a aproximadamente R$ 2,44 milhões.
A magistrada apontou que a prefeitura não apresentou comprovação de dotação orçamentária específica para bancar todas as despesas do evento. Conforme registrado na decisão, o município informou apenas que havia recursos disponíveis em caixa, mas não demonstrou a previsão orçamentária necessária para a contratação.
A Justiça também comparou o valor reservado para o rodeio com investimentos permanentes na cidade. Um dos exemplos citados foi a construção de uma praça voltada ao lazer e à compensação ambiental, estimada em cerca de R$ 255,8 mil — valor muito abaixo do montante previsto para quatro dias de shows.
Outro ponto considerado pela juíza foi a situação da assistência social no município. Segundo a decisão, a Casa Lar Luz no Caminho funciona atualmente em imóvel alugado após intervenção do próprio MPGO, enquanto entidades assistenciais ainda precisam buscar outras formas de arrecadação para manter suas atividades.
Para a magistrada, os documentos apresentados indicam possível violação dos princípios da legalidade orçamentária e da moralidade administrativa.
Com a decisão, a realização do Rodeio Show 2026 fica impedida de receber dinheiro público até nova determinação judicial. A liminar ainda poderá ser questionada pelo município e pelas empresas envolvidas.













