A instalação de um novo pedágio eletrônico na BR-060, a cerca de 12 quilômetros de Goiânia, já está gerando preocupação entre moradores de Abadia de Goiás, mesmo antes do início da cobrança, previsto para o próximo mês. O sistema, que não conta com cancelas, funciona por meio da leitura automática das placas dos veículos.
A BR-060 é uma via essencial para quem mora em Abadia de Goiás. Diariamente, moradores utilizam a rodovia para trabalhar, estudar ou buscar atendimento médico em Goiânia. Com o pedágio, cada deslocamento passa a ter um custo adicional.
A tarifa para carros será de R$ 3,90 por passagem. Motocicletas estão isentas. Já quem não possui a tag automática deverá emitir o pagamento via site ou aplicativo da concessionária Rota Verde. Caso o pagamento não seja feito em até 30 dias, o motorista poderá receber uma multa de R$ 195.
Prefeitura tenta barrar cobrança
Diante da repercussão, a Prefeitura de Abadia de Goiás entrou com uma ação na Justiça para tentar suspender a cobrança para moradores da cidade. O município argumenta que a população depende diretamente de Goiânia para serviços básicos, como hospitais, faculdades e até agências bancárias — o que tornaria o pedágio um custo inevitável e frequente.
Em nota, a concessionária Rota Verde informou que os pontos de cobrança e os valores foram definidos pelo governo federal, com base em estudos técnicos e audiências públicas. A empresa também afirmou que, até o momento, não há previsão de isenção para moradores de Abadia de Goiás.
A concessionária ainda destaca que a cobrança deve ocorrer apenas no sentido de ida para Goiânia.
Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) afirmou que não foi notificada sobre a ação judicial, mas garantiu que todo o processo de concessão da BR-060 seguiu as normas legais, com transparência e aprovação do Tribunal de Contas da União.
Segundo a ANTT, não existe uma regra que determine distância mínima entre praças de pedágio e áreas urbanas. A definição dos pontos leva em consideração critérios técnicos, como fluxo de veículos e fatores socioeconômicos, buscando, sempre que possível, reduzir impactos locais.