MP detalha papel de presidente e servidores em fraudes envolvendo empresa de delegado
O presidente da Câmara teria sido o elo inicial entre o delegado Danilo Proto e a estrutura administrativa do Legislativo municipal.

As investigações do Ministério Público de Goiás (MPGO) apontam que o esquema de fraudes e desvios de recursos públicos na Câmara Municipal de Rio Verde teve a participação direta do presidente do Legislativo, o vereador Idelson Mendes (PRD), além de dois servidores administrativos da Casa e empresários ligados ao delegado Danilo Proto, já preso em fases anteriores da investigação.
De acordo com o MP, o presidente da Câmara teria sido o elo inicial entre o delegado Danilo Proto e a estrutura administrativa do Legislativo municipal. A partir dessa aproximação, servidores estratégicos da Câmara passaram a atuar diretamente com o grupo externo para viabilizar contratações direcionadas, por meio de processos administrativos e licitatórios considerados irregulares.
Dentre os crimes investigados, está o "sumiço" de mais de R$ 415 mil arrecadados em taxas de inscrição que nunca foram devolvidos, mesmo após decisões judiciais determinando o ressarcimento. O valor é referente a anulação de um concurso público da Câmara de Rio Verde justamente por irregularidades apontadas. Mais de dois mil candidatos seguem no prejuízo financeiro.
Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida
A investigação faz parte da Operação Regra Três – Quarta Fase: Contrapartida, conduzida pelo Gaeco Sul, grupo especializado no combate ao crime organizado. Nesta quinta-feira (5), foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Câmara Municipal de Rio Verde e em residências dos investigados.
O vereador Idelson Mendes foi preso preventivamente junto com outros três investigados, sendo dois advogados que, segundo o MP, atuavam ao mesmo tempo para a Câmara e para o Instituto Delta Proto, ligado ao delegado. Documentos, computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos foram recolhidos e seguem em análise técnica.
Função dos servidores
Um dos servidores investigados exercia função diretamente ligada ao setor de compras e procedimentos administrativos, com acesso a informações internas e poder de influência sobre os trâmites das contratações. A outra servidora atuava próxima à presidência da Casa, acompanhando decisões e movimentações administrativas sensíveis. Segundo o MPGO, ambos tinham pleno conhecimento das contratações sob investigação e da forma como os processos estavam sendo conduzidos.
Durante coletiva de imprensa, a promotora responsável pelo caso afirmou que o conjunto de provas reunido até o momento é consistente e aponta claramente para a atuação coordenada dos envolvidos. “Temos elementos muito claros da participação dessas pessoas”, destacou Anna Edesa Ballatore Holland Lins Boabaid.
Provas
Entre as provas citadas pelo Ministério Público estão mensagens trocadas entre os investigados, registros de ligações telefônicas e a coincidência temporal entre os contatos e a formalização de contratos, o que, segundo os investigadores, reforça a tese de um esquema previamente articulado.
As apurações indicam que o esquema não se limitou a um único contrato e pode ter se expandido para outras contratações públicas da Câmara, incluindo serviços diversos, o que amplia o alcance da investigação e o possível volume de recursos desviados.













