MP descobre que aprovado em 1º lugar ajudava instituto a fazer prova e pede suspensão do certame
Segundo o MP, a paralisação é necessária para preservar a moralidade administrativa e garantir que todos os candidatos tenham chances iguais.

O Ministério Público de Goiás (MPGO) expediu, nesta quarta-feira (29), uma recomendação urgente para a suspensão imediata do certame por 90 dias. O documento, assinado pelo promotor Astúlio Gonçalves de Souza, aponta uma série de irregularidades que colocam em xeque a lisura da seleção organizada pelo Instituto Verbena (UFG).
A medida ocorre a menos de um mês da data prevista para a homologação, marcada para 25 de maio. Segundo o MP, a paralisação é necessária para preservar a moralidade administrativa e garantir que todos os candidatos tenham chances iguais.
O ponto mais alarmante da investigação diz respeito ao suposto vínculo estreito entre aprovados e a banca organizadora. O relatório detalha casos que beiram o inacreditável:
O 1º lugar para Administrador: O candidato aprovado no topo da lista prestava serviços ao próprio Instituto Verbena como bolsista. Ele era responsável por elaborar questões e representar a banca em contratos. Além disso, participou de um evento institucional do instituto apenas cinco dias antes da prova. Seus familiares (marido e sobrinho) também trabalham ou prestam serviços à logística do Verbena.
O 6º lugar para Revisor de Texto: A candidata aprovada presta serviços habituais à banca e seria amiga próxima de uma das responsáveis pela revisão das provas do próprio concurso.
A "lista dos dez": O MP listou mais de dez outros candidatos aprovados nas primeiras colocações que possuem vínculos diretos com o Verbena, com a UFG ou com a própria Câmara Municipal.
Além dos vínculos de amizade e trabalho, o MP colheu denúncias de candidatos sobre a precariedade da segurança no dia da aplicação das provas.
Foram relatadas:
-
Ausência de coleta de biometria e de detectores de metais;
-
Falta de marcação nas cadeiras;
-
Celulares tocando durante a prova: candidatos teriam permanecido na sala mesmo após os aparelhos emitirem sons, o que deveria gerar exclusão imediata.
Em depoimento, ex-diretoras do Instituto Verbena confirmaram que o controle de sigilo era frágil. Segundo elas, as diretoras administrativa e executiva tinham acesso irrestrito a todos os sistemas, inclusive aos computadores onde as notas foram processadas, o que facilitaria o compartilhamento informal de senhas e dados sensíveis.
O promotor Astúlio Gonçalves ressaltou que o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) já havia sugerido a suspensão para o cargo de administrador, mas o Ministério Público decidiu ampliar o pedido para todos os cargos.
A presidência da Câmara tem 10 dias corridos para informar se acatará a recomendação. Caso a Casa ignore o alerta e prossiga com a homologação, os gestores poderão responder judicialmente por eventuais prejuízos e omissão.
Veja o que diz a Câmara de Goiânia
NOTA
A Câmara Municipal de Goiânia ainda não foi notificada da recomendação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). O Poder Legislativo é cumpridor das decisões do Judiciário e Órgãos de Controle e se manifestará nos prazos e termos estabelecidos.
A Câmara de Goiânia vem cumprindo suas obrigações legais no esclarecimento de todas as demandas relacionadas à realização de seu concurso público. Por determinação do presidente do Legislativo, vereador Romário Policarpo, a denúncia anônima apresentada à Câmara em 30 de março foi imediatamente encaminhada ao Instituto Verbena e ao MP-GO para a tomada das providências administrativas e legais cabíveis.

Justiça obriga delegado a apagar vídeo que critica juiz por soltar membro do PCC
Decisão ocorreu nesta segunda-feira (17) e revoltou Humberto Teófilo, que gravou um desabafo ao Fórum

MPGO denuncia casal após pai engravidar a própria filha e mãe se calar em Rio Verde
A denúncia foi formalmente recebida pela Justiça. Segundo as apurações, o pai abusava sexualmente da vítima desde que ela tinha 7 anos de idade.














