Médica acusada de planejar homicídio para ficar com filha de farmacêutica vai a júri popular
Cláudia Soares Alves, de 43 anos, foi presa em novembro de 2025, em Itumbiara, no sul de Goiás, durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Minas

Além da acusação de homicídio, Cláudia Soares Alves também responde por outro caso de grande repercussão.
A Justiça negou os recursos apresentados pelas defesas da médica Cláudia Soares Alves e de Paulo Roberto e manteve a decisão que leva os dois a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo homicídio da farmacêutica Renata Bocatto Derani, morta a tiros em 2020, em Uberlândia (MG).
As defesas tentavam reverter a decisão de pronúncia, que reconheceu a existência de indícios suficientes para que ambos sejam julgados por um júri popular. Como alternativa, os advogados pediram a retirada das qualificadoras do crime. No caso de Paulo Roberto, a defesa alegou ainda que a decisão não individualizou adequadamente sua suposta participação.
Ao analisar o caso, o juiz Dimas Borges de Paula rejeitou todos os argumentos apresentados. Segundo o magistrado, os recursos não trouxeram fatos novos capazes de modificar o entendimento já adotado. "Não trouxeram nenhuma inovação a contrariar os fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual não há elementos suficientes para sustentar um juízo de retratação", afirmou o juiz.
Na decisão, o magistrado destacou que há elementos concretos que apontam Cláudia Soares Alves como suposta mandante do homicídio e Paulo Roberto como o executor do crime. "Assim, pelas razões constantes desta decisão e da decisão recorrida, mantenho a decisão de pronúncia", concluiu.
Crime motivado por obsessão em maternidade
Cláudia Soares Alves, de 43 anos, foi presa em novembro de 2025, em Itumbiara, no sul de Goiás, durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Minas Gerais. Ela é acusada de mandar matar a farmacêutica Renata Bocatto Derani, de 38 anos.
O crime ocorreu em novembro de 2020, em frente a uma farmácia no Bairro Presidente Roosevelt, em Uberlândia. Segundo a investigação, Renata foi surpreendida quando chegava ao trabalho e atingida por pelo menos cinco disparos.
De acordo com a Polícia Civil, a motivação seria a obsessão da médica em assumir a maternidade da filha da vítima. Conforme as investigações, Cláudia manteve um relacionamento com o ex-marido de Renata e chegou a se casar com ele. O casamento, porém, terminou poucos meses depois.
Ainda segundo a polícia, a médica teria manifestado ao então companheiro o desejo de criar a filha dele com a farmacêutica. Diante do comportamento considerado estranho, a vítima teria impedido que a criança permanecesse na companhia da mulher durante as visitas ao pai.
Após o fim do relacionamento, a investigação aponta que Cláudia teria planejado o assassinato de Renata para tentar reatar o casamento e assumir a criação da menina.
A Polícia Civil também apurou que uma motocicleta com placa adulterada foi utilizada na execução do crime. O veículo, segundo os investigadores, já havia sido usado por dois vizinhos da médica, que também são apontados como envolvidos no homicídio.
Médica também responde por sequestro de recém-nascida
Além da acusação de homicídio, Cláudia Soares Alves também responde por outro caso de grande repercussão. Em julho de 2024, ela foi presa suspeita de sequestrar uma bebê poucas horas após o nascimento em um hospital de Uberlândia.
Segundo a Polícia Militar, a investigada entrou na maternidade se passando por pediatra e saiu da unidade levando a recém-nascida. Toda a ação foi registrada pelas câmeras de segurança do hospital.
Agora, com a manutenção da decisão de pronúncia, Cláudia Soares Alves e Paulo Roberto deverão ser submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. Ainda não há data definida para a sessão.













