Líder de facção e empresário são condenados por lavar R$ 500 milhões em Goiás
Segundo as investigações, os valores eram posteriormente convertidos em moeda estrangeira e reintegrados às atividades criminosas.

O líder de uma facção criminosa, André Luiz Oliveira Lima, e o empresário José Edvarde de Lima Filho foram condenados por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 500 milhões em Goiás, conforme informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).
De acordo com a Justiça, a organização utilizava empresas de turismo de fachada e dados de supostos clientes para dissimular a origem de recursos provenientes do tráfico de drogas. As falsas agências eram credenciadas a casas de câmbio regulares e simulavam a compra de passagens internacionais para justificar a aquisição de dólares, usando, inclusive, CPFs falsos — muitos deles de pessoas já falecidas.
Para dificultar o rastreamento, o grupo fracionava grandes quantias em diversas transações menores, prática conhecida como “smurfing”, reinserindo o dinheiro ilícito no sistema financeiro formal. Segundo as investigações, os valores eram posteriormente convertidos em moeda estrangeira e reintegrados às atividades criminosas.
André Luiz foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão, enquanto José Edvarde recebeu pena de 7 anos e 6 meses, ambos em regime fechado. Além disso, a Justiça determinou que os dois paguem, de forma solidária, R$ 500 milhões, montante equivalente ao total movimentado pelo esquema. André Luiz já se encontra preso por outros crimes, e José Edvarde responde em liberdade enquanto aguarda a análise de eventual recurso.
A condenação é resultado da Operação Red Bank, que apreendeu cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo e 25 veículos de luxo, entre eles modelos como Ferrari, Maserati e Mustang, muitos registrados em nome de terceiros. Segundo o TJGO, outros seis integrantes da organização criminosa já haviam sido condenados anteriormente, com penas que variam de 8 a 17 anos, além do bloqueio e apreensão de bens, imóveis, contas bancárias e ativos financeiros.
Em nota, o advogado Gilberto Carlos de Morais, que defende André Luiz, afirmou ter recebido a decisão com surpresa e informou que irá recorrer após a análise integral da sentença, dentro do prazo legal. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de José Edvarde.
As informações são do O Popular













