Justiça manda soltar dentista acusada de causar sequelas em pacientes
Segundo as autoridades, mais de 20 pessoas já procuraram a polícia para formalizar denúncias contra a profissional.

Um grupo criado em um aplicativo de mensagens reúne atualmente 21 mulheres que trocam informações.
A Justiça de Goiás determinou, nesta segunda-feira (1º), a concessão de liberdade provisória à cirurgiã-dentista Valéria Martins Ribeiro, investigada por supostamente realizar procedimentos estéticos sem a habilitação necessária e causar sequelas em pacientes atendidos em Goiânia.
De acordo com a decisão judicial, um dos fatores levados em consideração para a revogação da prisão preventiva foi o fato de a investigada ser mãe de uma criança de um ano de idade, que necessita de seus cuidados. Apesar da soltura, a profissional deverá cumprir medidas cautelares, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
A dentista é alvo de investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), que apura denúncias de pacientes que relatam complicações graves, deformidades faciais e sequelas permanentes após procedimentos realizados em uma clínica localizada no Setor Bueno, na capital.
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Segundo as autoridades, mais de 20 pessoas já procuraram a polícia para formalizar denúncias contra a profissional. Parte dos pacientes também se organizou em grupos de mensagens para compartilhar relatos, reunir documentos e acompanhar o andamento do caso.
As investigações indicam que Valéria teria realizado intervenções estéticas para as quais não possuía registro ou habilitação específica. Entre os procedimentos sob apuração estão lipo de papada, rinoplastia, blefaroplastia, lifting de sobrancelhas, otoplastia e outras cirurgias faciais que exigiriam qualificação profissional específica.
A prisão preventiva da dentista ocorreu durante uma operação deflagrada pela Polícia Civil em 28 de maio. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, a clínica foi interditada com apoio da Vigilância Sanitária e houve o bloqueio de aproximadamente R$ 600 mil em bens.
Em depoimentos prestados à imprensa e às autoridades, pacientes afirmam ter sofrido sequelas permanentes, assimetrias faciais e impactos psicológicos após os procedimentos. Algumas das denunciantes também alegam terem sido intimidadas após publicarem críticas sobre os atendimentos recebidos.
Nas redes sociais, a profissional acumulava mais de 74 mil seguidores e divulgava seu trabalho na área de procedimentos estéticos, apresentando-se como especialista em lipo de papada.
A defesa de Valéria Martins Ribeiro informou que ainda aguarda acesso integral aos autos da investigação e que irá se manifestar oficialmente após a análise completa da documentação reunida no processo.
As investigações seguem em andamento e o caso continua sendo acompanhado pela Polícia Civil e pelo Poder Judiciário.














