Justiça arquiva inquérito e inocenta ex-chefe da PCGO após 5 anos de investigação
Investigação contra o delegado André Fernandes não encontrou provas em sigilos bancários

Após cinco anos de uma investigação intensa que incluiu buscas em sua residência e a quebra completa de seus sigilos, o delegado André Fernandes, ex-diretor-geral da Polícia Civil de Goiás, teve seu inquérito arquivado pela Justiça. A decisão, assinada na última segunda-feira (12) pela juíza Ana Cláudia Veloso Magalhães, seguiu o parecer do próprio Ministério Público, que reconheceu a total ausência de provas contra o policial.
Fernandes foi alvo da Operação Iscariotes em dezembro de 2021, sob suspeita de envolvimento em fraudes de boletins de ocorrência para recebimento de prêmios de seguradoras. No entanto, após uma análise exaustiva, a magistrada foi enfática ao afirmar que a "devassa" nos aparelhos telefônicos e contas do delegado não revelou qualquer indício de crime.
"A análise não revelou comunicações, tratativas financeiras, orientações funcionais ilícitas ou qualquer outro elemento objetivo que indicasse participação nos registros fraudulentos", escreveu a juíza na sentença. Até mesmo mensagens de uma escrivã investigada mostravam que ela tinha receio de que o delegado desconfiasse das irregularidades, o que reforçou que ele não tinha ciência dos fatos.
Defesa fala em "vingança"
Para os advogados de defesa, Demóstenes Torres e Caio Alcântara, o desfecho é uma vitória contra injustiças institucionais. Demóstenes destacou que o delegado foi "impiedosamente devassado" e que o caso serve de exemplo para que órgãos de controle não sejam usados como "cabos de chicote para a prática de vingança".
Já Caio Alcântara ressaltou que o arquivamento é um "atestado de honestidade" para André Fernandes. "Passaram ele por um moedor de carne e ele saiu inteiro do outro lado, provando que é honesto", afirmou o advogado.













