Ex-prefeito de Heitoraí vira réu por fraudar licitações com empresa em nome de primo
A empresa era utilizada para alugar máquinas e veículos pesados ao município, embora os equipamentos, na prática, pertencessem ao próprio chefe do Executivo.

O ex-prefeito de Heitoraí, Lúcio Pires dos Santos, e outros seis acusados se tornaram réus por supostos crimes contra a administração pública, após o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) receber denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO). A decisão foi tomada no dia 1º de abril pela 1ª Câmara Criminal, sob relatoria do desembargador Itaney Francisco Campos.
Além do ex-prefeito, também respondem ao processo Gersimar Dorneli, Simeão Rezende Oliveira, Valdivino da Costa Correa, Valmir Batista dos Santos, Wattiney Rodrigues de Brito e Weliton Tomaz Pinto. A denúncia foi oferecida em abril de 2024 pela Procuradoria de Justiça Especializada em Crimes Praticados por Prefeitos, representada pelo promotor Rafael Simonetti Bueno da Silva.
Fraude em licitações
Segundo o Ministério Público, os acusados teriam atuado, em 2021, para fraudar o caráter competitivo de três processos licitatórios no município: uma carta convite e dois pregões presenciais. O objetivo seria garantir vantagem indevida na contratação de serviços.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia o uso de uma empresa de fachada, registrada em nome de Weliton Tomaz Pinto, primo do então prefeito. A empresa era utilizada para alugar máquinas e veículos pesados ao município, embora os equipamentos, na prática, pertencessem ao próprio chefe do Executivo.
A apuração, conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), aponta que os maquinários teriam sido adquiridos com pagamentos em dinheiro e registrados em nome da empresa para dar aparência de legalidade aos contratos firmados com a prefeitura.
Mandados de busca e apreensão
Durante buscas na residência do ex-prefeito, foram encontrados documentos que comprovariam a propriedade dos equipamentos, além de registros da empresa. Já no endereço de Weliton, segundo a investigação, não foram localizados documentos relacionados à empresa ou aos bens.
O Ministério Público também aponta que o então secretário municipal de Administração, Gersimar Dorneli, teria adulterado documentos para simular regularidade nos processos licitatórios. Já Valdivino da Costa Correa é acusado de falso testemunho, após negar envolvimento em conversas sobre manutenção dos maquinários — versão que teria sido desmentida por um vídeo encontrado no celular do ex-prefeito.
Justiça vê indícios suficientes
Ao receber a denúncia, o TJGO considerou que a acusação atende aos requisitos legais e apresenta descrição clara das condutas atribuídas a cada investigado. As acusações incluem crimes como fraude à licitação, falsidade ideológica e falso testemunho, com base na legislação vigente.
Segundo o tribunal, os elementos reunidos no inquérito indicam a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade, o que justifica a abertura da ação penal. A condução do processo ficará a cargo da comarca de Heitoraí, responsável por realizar as citações dos réus, interrogatórios e a fase de instrução do caso.

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