Ex-deputada briga com irmã e é despejada de fazenda; veja vídeo
A reintegração de posse do imóvel rural foi autorizada pela 1ª Vara Cível da Comarca de Luziânia (GO)

A ex-deputada distrital Liliane Roriz foi desp€jada de uma fazenda localizada em Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, após decisão da Justiça de Goiás que determinou a reintegração de posse do imóvel à Agropecuária Palma, empresa administrada por sua irmã, Weslliane Roriz.
O episódio é mais um capítulo da disputa pelo espólio do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, morto em 2018. Desde então, as filhas travam uma sequência de embates judiciais, com registros de ocorrências envolvendo a políc!a e acusações mútuas sobre o controle e a gestão do patrimônio familiar.
A reintegração foi autorizada pela 1ª Vara Cível da Comarca de Luziânia. Embora a decisão em cumprimento de sentença tenha sido expedida em outubro, o despejo ocorreu apenas nesta semana, com apoio da Políc!a Militar de Goiás.
Na decisão, a juíza Luciana Vidal Pellegrino Kredens afirmou que Liliane mudou de endereço sem comunicar formalmente à Justiça, o que dificultou sua intimação. Segundo a magistrada, a conduta configurou violação à boa-fé processual.
“A omissão deliberada em informar a mudança de endereço não pode ser utilizada como subterfúgio para obstar a efetividade da prestação jurisdicional, especialmente em se tratando de título executivo judicial acobertado pela coisa julgada”, escreveu.
Disputa pelo espólio
No processo, a Agropecuária Palma sustenta ser a legítima proprietária do imóvel, parte da Fazenda Palmas, e afirma que Liliane tinha apenas autorização verbal para utilizar a casa de campo, exclusivamente para descanso e lazer. A empresa, representada por Weslliane — primogênita do ex-governador —, alega que, ao longo do tempo, a irmã mais nova passou a ocupar áreas de pastagem temporariamente desocupadas e introduziu rebanho próprio, inicialmente com anuência da administração.
Com base nesses fatos, a companhia pediu à Justiça a condenação de Liliane ao pagamento de indenizações por danos materiais, aluguel, extração de eucalipto e danos morais. O valor total pleiteado soma R$ 531,4 mil.
Em abril de 2022, a Justiça julgou o pedido parcialmente procedente, determinando a reintegração de posse e condenando Liliane ao pagamento de indenização pela retirada de eucaliptos, cujo valor ainda será apurado em fase de liquidação. Após recursos das duas partes, em outubro de 2025 a magistrada determinou o cumprimento definitivo da sentença.
“Desvio de finalidade”
A defesa da ex-deputada contesta a decisão e afirma que a reintegração de posse representa um “desvio de finalidade”. Em nota, os advogados de Liliane acusam Weslliane de usar a Agropecuária Palma como instrumento de controle pessoal do patrimônio familiar.
Segundo a defesa, há provas documentais de retenção de lucros, transferências financeiras irregulares, uso privado de terras e bens da empresa, além de cessões de patrimônio ao marido e ao filho da administradora. As práticas, de acordo com os advogados, teriam ocorrido em prejuízo de Liliane, que detém 50% da sociedade.
“A recente tentativa de reintegração de posse revela-se claramente como medida retaliatória às investigações em curso, aos pedidos de auditoria e às exigências legítimas de transparência”, afirmou a defesa. Para os advogados, não se trata de uma disputa possessória legítima, mas de um instrumento de pressão e intimidação contra a sócia que passou a questionar a gestão do patrimônio.
A nota também sustenta que a administradora impede auditorias efetivas e até mesmo o acesso físico às propriedades rurais, o que inviabilizaria a fiscalização de uma atividade agropecuária que depende de inspeção constante de gado, maquinário e produção. “O que se busca não é conflito familiar, mas justiça e igualdade entre os sócios”, diz o texto.












