Empresária de Goiânia, que movimentou R$ 45 milhões com esquema de imigração nos EUA, é solta
Outro casal investigado, Juliana Fróes, foi solta com tornozeleira eletrônica, mas o marido continua preso; já a dona de uma agência de viagens apontada como peça-chave da logística clandestina permanece detida pela PF

A quebra dos sigilos bancário e telefônico de Maria Helena revelou movimentações superiores a R$ 45 milhões.
A empresária Maria Helena Costa, apontada pela Polícia Federal como líder de um esquema de imigração ilegal para os Estados Unidos, foi solta pela Justiça após passar cerca de 24 horas presa na Casa do Albergado, em Goiânia. Ela havia sido presa durante a operação da PF deflagrada na quinta-feira (7), que investiga uma rede suspeita de enviar centenas de brasileiros clandestinamente ao território norte-americano.
Segundo os investigadores, a organização atuava há mais de 20 anos, coordenando transporte, hospedagem, compra de passagens e até apoio jurídico para imigrantes detidos na fronteira.
Além de Maria Helena, a Justiça também mandou soltar Juliana Rosa Tomé Fróes, investigada por captar clientes e organizar a logística das viagens. Ela deverá usar tornozeleira eletrônica por 90 dias. Já o marido dela, Fábio Rodrigues Fróes, segue preso. Outra investigada que permanece detida é Valéria Divina de Macedo, apontada como responsável pela parte financeira do esquema e dona de uma agência de viagens no Centro de Goiânia. Conforme o inquérito, a empresa emitia passagens até o México, rota usada pelos brasileiros para atravessar ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos.
De acordo com a Polícia Federal, os quatro investigados em Goiânia devem responder por crimes como migração ilegal, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A quebra dos sigilos bancário e telefônico de Maria Helena revelou movimentações superiores a R$ 45 milhões, valor que, segundo os investigadores, teria origem no esquema clandestino.
Entre as provas reunidas pela PF está um comprovante de pagamento feito por Francisco de Sousa Filho, morador de Rondônia e cliente do grupo. A investigação aponta que o valor fazia parte de um pagamento de 3.100 dólares referente às passagens da entrada ilegal nos Estados Unidos. Em mensagens interceptadas, Maria Helena aparece orientando familiares de brasileiros presos na fronteira e afirmando ter experiência em tirar imigrantes da prisão.
“Tiro, sempre tiro, todos que ficam eu tiro, eu tiro pra depois receber, né?”, disse Maria Helena em uma das conversas obtidas pela investigação.
A PF afirma ainda que a empresária mantinha contato direto com coiotes, providenciava passagens aéreas e organizava a contratação de advogados para clientes presos pelas autoridades americanas. Francisco, citado no inquérito, chegou a ficar três meses detido na fronteira dos Estados Unidos e só foi liberado após o pagamento de uma fiança de 15 mil dólares.
Segundo os investigadores, a organização liderada por Maria Helena atuava conectada a outros grupos criminosos independentes, compartilhando estruturas financeiras e operacionais. Só na primeira fase da investigação, ao menos 463 brasileiros foram identificados como clientes da rede clandestina.
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Defesas
Em nota, a defesa de Maria Helena afirmou que a revogação da prisão preventiva representa o reconhecimento da “falta de necessidade da medida extrema” e pediu respeito ao princípio da presunção de inocência.
A defesa de Juliana Rosa Tomé Fróes alegou que “não é crime ajudar brasileiros a se apresentar às autoridades norte-americanas e formalizar pedidos de asilo”.
Já as defesas de Fábio Rodrigues Fróes e Valéria Divina de Macedo não se manifestaram.














