Em meio a apurações sobre desvio milionário, defesa de delegado e esposa abandona o caso
A investigação apura supostas fraudes em contratações públicas, desvios de recursos e irregularidades em licitações que alcançaram órgãos do poder público em Rio Verde.

Os advogados Gilles Gomes e Mirelle Gonsalez informaram à imprensa que encerraram a atuação nas defesas do delegado da Polícia Civil de Goiás, Dannilo Ribeiro Proto, e de sua esposa, Karen de Souza Santos, em meio às investigações do Ministério Público de Goiás (MPGO) que revelam um amplo esquema de fraudes em contratos públicos em Rio Verde.
Em nota divulgada à imprensa, os defensores afirmaram que a decisão foi tomada por “superveniência de justo motivo” e está de acordo com os deveres éticos e profissionais da advocacia, e que, em virtude desses princípios, não cabe prestar mais esclarecimentos publicamente sobre os motivos de sua saída do caso. (veja a nota completa no final da reportagem)
O delegado Dannilo Ribeiro Proto e sua esposa estão entre os principais alvos da Operação Regra Três, deflagrada e conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Sul) do MPGO. A investigação apura supostas fraudes em contratações públicas, desvios de recursos e irregularidades em licitações que alcançaram órgãos do poder público em Rio Verde e regiões do sudoeste goiano.
Proto foi preso preventivamente em agosto de 2025, na primeira fase da operação, sob a acusação de liderar uma organização criminosa dedicada a desviar recursos públicos, incluindo verbas destinadas à educação no município, em contratos junto ao Instituto Delta Proto (IDP) — empresa da qual ele e sua esposa são sócios.
Até o início deste ano, o delegado e a esposa já haviam sido denunciados pelo MPGO por desvio de mais de R$ 2,2 milhões e por utilização de vínculos públicos e externos para favorecer contratos irregulares, inclusive na realização de concursos públicos e serviços para órgãos municipais.
Novas investigações
A Operação Regra Três — que já atravessa múltiplas fases — também inclui investigações mais recentes sobre um concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde, cujo certame foi anulado e deixou mais de R$ 415 mil em taxas de inscrição retidos, conforme dados divulgados pela promotoria.
O MPGO também apura possíveis falhas e irregularidades na custódia de Proto durante seu período de detenção, inclusive a utilização indevida de aparelhos celulares enquanto estava preso na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia — assunto que deu origem a um inquérito civil para verificar a atuação de agentes públicos na custódia do delegado.
A saída dos advogados de defesa ocorre em meio a um aumento das pressões jurídicas sobre o casal, com a continuidade das apurações e a abertura de novas frentes de investigação envolvendo contratos com o poder público, fraudes e possíveis crimes contra a administração pública, como peculato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, conforme apontam os autos da ação penal.
Nota dos advogados de Dannilo e Karen
"Os advogados Gilles Gomes, Mirelle Gonsalez informam que ante a superveniência de justo motivo, encerram o patrocínio das defesas de Karen de Souza Santos e Dannilo Ribeiro Proto. A decisão observa estritamente os deveres éticos e profissionais da advocacia, não comportando outros esclarecimentos no âmbito público."
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