Delegado preso usava celular na cadeia, e MP apura esquema de favorecimento de agentes
A Polícia Penal também foi acionada para informar as condições atuais de custódia do delegado, hoje em regime fechado na Casa do Albergado.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) instaurou inquérito civil para apurar irregularidades nos procedimentos de custódia do delegado da Polícia Civil Dannilo Ribeiro Proto, preso desde agosto de 2025 no âmbito da Operação Regra Três. A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial no Controle Externo da Atividade Policial, na Segurança Pública e no Sistema Prisional (Gaesp) e tem como foco a manutenção de aparelho celular e comunicações externas durante a custódia na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia.
A investigação foi aberta a partir de elementos colhidos pelo Gaeco durante diligência realizada em 18 de dezembro de 2025, quando foi cumprido mandado de busca e apreensão na DIH. Na ocasião, os investigadores apreenderam um telefone celular em posse do custodiado — que confessou ser o proprietário — além de R$ 400 em espécie e dois cadernos com anotações manuscritas.
Segundo o MPGO, o Gaesp apura omissões funcionais e eventual participação de agentes públicos que teriam permitido a manutenção de meios de comunicação ilícitos, em descumprimento dos protocolos de custódia. O inquérito busca identificar responsabilidades administrativas, civis e possíveis reflexos penais decorrentes das irregularidades.
Para subsidiar a apuração, o MPGO requisitou à Polícia Civil informações sobre normas internas de custódia, protocolos de revista e inspeção de celas, registros de visitas, escalas funcionais desde agosto de 2025 e imagens de videomonitoramento da unidade. À Corregedoria-Geral da Polícia Civil, foram solicitadas cópias integrais de inspeções realizadas na DIH e de eventuais sindicâncias relacionadas ao caso. A Polícia Penal também foi acionada para informar as condições atuais de custódia do delegado, hoje em regime fechado na Casa do Albergado. O procedimento tramita sob sigilo.
Gaeco analisa material e avalia denúncia
Paralelamente, o Gaeco Sul, com sede em Rio Verde, segue analisando o material apreendido. De acordo com o MPGO, o conteúdo preliminar indica comunicações ativas durante a custódia, incluindo orientações ligadas à gestão de interesses pessoais e patrimoniais, além de tentativas de ocultação do celular durante fiscalizações. Há, ainda, mensagens que sugerem ironia em relação às inspeções da Corregedoria e estratégias para esconder o aparelho.
Os cadernos apreendidos contêm anotações sobre controle de valores, listas nominais e registros de suposta contabilidade, com menções ao Instituto Delta Proto. Diante dos indícios, o Gaeco avalia a possibilidade de denúncia por favorecimento real, crime que consiste em facilitar o ingresso do aparelho para beneficiar o custodiado. A extração forense integral dos dados segue em curso.
A Operação Regra Três investiga a atuação de uma organização criminosa supostamente liderada por delegado da Polícia Civil, com crimes que incluem contratação direta ilegal, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional, prevaricação, peculato e lavagem de capitais, entre outros.












