Vereador foragido que tomou posse clandestina em Ceres se torna réu
Cerimônia durou três minutos e contou com apoio de servidor e presidente da Câmara; político é acusado de integrar organização criminosa ligada ao tráfico de rebite.

O vereador eleito Osvaldo José Seabra Júnior, conhecido como Osvaldo Cabal (PL), se tornou réu na Justiça por ter tomado posse como vereador em Ceres, mesmo estando foragido sob suspeita de integrar uma organização criminosa especializada na produção e distribuição de rebite, além de lavagem de dinheiro proveniente das atividades ilícitas.
De acordo com o Ministério Público de Goiás (MP-GO), a posse ocorreu de forma clandestina no dia 1º de janeiro de 2025, dentro da Câmara Municipal, com o apoio do presidente da Casa, Glicério de Moraes Mendes Júnior, do assessor jurídico Daniel José Prados Silva e de Kaio Diego da Costa, todos denunciados pelo MP.
Um vídeo das câmeras de segurança registrou o momento em que Osvaldo Cabal entra no prédio usando boné e óculos escuros, com a cabeça baixa, tentando esconder a identidade. A cerimônia durou cerca de três minutos.
Posse ilegal e mandado de prisão
Segundo a decisão da 1ª Vara Criminal de Ceres, proferida em 23 de outubro, Daniel elaborou um documento ideologicamente falso, assinado por Glicério e Osvaldo, enquanto Kaio teria ajudado no transporte do foragido até o local.
Mesmo com um mandado de prisão preventiva em aberto desde 26 de novembro de 2024, Osvaldo Cabal participou do ato, acompanhado apenas por Glicério e Daniel. Ele havia sido eleito no primeiro turno, em 3 de outubro de 2024, com 427 votos.
Após a repercussão do caso, a Câmara Municipal determinou, em 9 de janeiro de 2025, a suspensão preventiva da posse. O suplente Lucas Rodrigues Melo (PL), conhecido como Lucas Biola, assumiu o cargo em 12 de fevereiro.
Investigação do Ministério Público
A sessão reservada levantou suspeitas sobre a legalidade do ato. O Ministério Público Eleitoral (MPE) instaurou investigação para apurar as circunstâncias da posse, requisitando imagens das câmeras de segurança, o registro no livro de posse e o regimento interno da Câmara.
A apuração concluiu que não foram cumpridas formalidades legais, como a entrega do diploma eleitoral e da declaração de bens, além da ausência de documentos obrigatórios para a posse. Também foi comprovada a articulação entre os envolvidos para viabilizar o ato fraudulento.
Denúncia e pedido de indenização
Na denúncia, o MP-GO acusa:
Glicério de Moraes Mendes Júnior e Daniel José Prados Silva pelos crimes de falsidade ideológica e favorecimento pessoal;
Osvaldo Cabal, por falsidade ideológica;
Kaio Diego da Costa, por favorecimento pessoal.
O Ministério Público ainda pede que cada um dos denunciados pague uma indenização mínima de R$ 10 mil pelos danos materiais e morais coletivos.
A Justiça determinou a citação dos acusados para que apresentem defesa no prazo de dez dias.
Operação Ephedra
Osvaldo Cabal é alvo de um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito da Operação Ephedra, conduzida pelo MP-GO. A investigação apura o envolvimento do político em um esquema de tráfico e lavagem de dinheiro.
Durante as buscas em sua residência, realizadas em dezembro de 2024, foram apreendidos fuzis, pistolas e munições, reforçando as suspeitas de ligação com organizações criminosas. Até esta quinta-feira (30), o vereador seguia foragido, segundo o Ministério Público.

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