STF pode ter dois ministro evangélicos, porém, um de direita e outro da esquerda
O contraste entre os dois ministros reacende o debate sobre os limites entre religião, poder e justiça no Brasil

O Supremo Tribunal Federal atravessa um momento inédito: pela primeira vez, dois ministros evangélicos podem ocupar simultaneamente cadeiras na Corte. O que poderia simbolizar maior representatividade religiosa no Judiciário, no entanto, tem revelado um contraste político marcante entre os magistrados.
De um lado está André Mendonça, pastor presbiteriano e ex-ministro de Jair Bolsonaro, que consolidou imagem associada à direita conservadora e à defesa de pautas morais. Do outro, Jorge Messias, da Igreja Batista, atual ministro da Advocacia-Geral da União e nome de confiança do presidente Lula, com trajetória ligada ao campo progressista.
A dupla presença de líderes religiosos no Supremo dividiu opiniões. Setores evangélicos celebram o avanço simbólico da fé nas instituições, enquanto críticos alertam para o risco de contaminação ideológica e religiosa nas decisões da Corte.
Nas redes, o contraste entre Mendonça e Messias se tornou tema de debates acalorados — ora vistos como expressão plural do país, ora como evidência da crescente politização do Judiciário. Para analistas, a nova configuração do STF reforça um dilema recorrente na democracia brasileira: até que ponto religião e poder podem coexistir sem ferir a independência da Justiça?

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