Promotora teria ligado para vereadores e tentado travar projeto da prefeitura, diz denúncia
Parlamentares questionam motivação de Leila Maria e falam em tentativa de influenciar votos; MP não se manifestou

Informações de bastidores obtidas pelo G5News apontam que a promotora Leila Maria de Oliveira, do Ministério Público de Goiás (MPGO), teria extrapolado os limites institucionais ao tentar interferir diretamente em um projeto de lei da Prefeitura de Goiânia, que trata do remanejamento de recursos públicos, que está em tramitação na Câmara de Vereadores.
Segundo apuração da reportagem, Leila não apenas recomendou a suspensão da votação, mas também entrou em contato com parlamentares, por telefone e por mensagens, para reforçar sua posição — sob a alegação de que o Ministério Público pode acionar a Justiça caso o projeto seja levado ao plenário.
A atuação provocou reação na Casa de Leis, que viram na conduta da promotora uma possível tentativa de interferência indevida no processo legislativo. Nos bastidores, alguns vereadores falaram até em coação.
“Não entendemos o interesse dela nisso. Trata-se de uma pauta técnica, orçamentária, e a decisão cabe ao Parlamento, não ao MP”, disse uma fonte reservada.
Os vereadores - que teriam recebido mensagens, ligações e até sido chamados para irem até a promotora, negaram ter sofrido coação direta. Eles confirmaram o recebimento de mensagens de Leila, mas disseram que o conteúdo era de “recomendação” e não de imposição. Um dos parlamentares resumiu: “Apesar dos pedidos, vou votar de acordo com a minha consciência”.
Leila entrou no caso após provocação da vereadora Kátia Maria (PT), que acionou o MP pedindo a paralisação do trâmite. A promotora então recomendou a suspensão imediata da tramitação e solicitou diligências, exigindo da Prefeitura esclarecimentos sobre o conteúdo do projeto. Até esse ponto, a atuação do MP está dentro dos parâmetros legais, segundo políticos ouvidos. O que causou desconforto foi o contato direto com os vereadores, por uma segunda vez, antes da deliberação em plenário.
O vereador Juarez Lopes (PDT), segundo-secretário da Câmara, expressou sua preocupação na última segunda (05).
"O Legislativo tem o direito e o dever de analisar e votar. Quando o processo é atropelado, pode até parecer legal, mas é questionável", declarou.
Mais incisivo, o vereador Coronel Urzêda (PL), vice-presidente corregedor, classificou a conduta como “tentativa de interferência” e fez um alerta: "Temos a inviolabilidade do voto. Eu voto neste Parlamento da forma que entender; não vou aceitar mordaça". Urzêda cobrou um posicionamento da Mesa Diretora e não descartou levar o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Outro lado
A reportagem procurou o Ministério Público de Goiás para comentar o caso, mas até a publicação desta matéria não houve resposta.

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