Polícia conclui inquérito e indicia três funcionários da Equatorial por morte de jovem eletrocutada
A tragédia aconteceu enquanto Nathaly saía da papelaria onde trabalhava, a cerca de 100 metros do local da fatalidade.

A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito sobre a morte de Nathaly Rodrigues do Nascimento, de 17 anos, vítima de uma descarga elétrica ao pisar em um fio energizado escondido em uma rua alagada, no centro de Goiânia. O caso ocorreu no dia 23 de setembro, enquanto a adolescente saía do trabalho em uma papelaria na Rua 20.
De acordo com o delegado Fernando Martins, responsável pela investigação, a apuração identificou falhas operacionais e omissão por parte da Equatorial Goiás, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no Estado.
“Durante as investigações, com base na telemetria do sistema da Equatorial Goiás e nos laudos periciais, concluímos que o manual de prevenção e ações de primeiro impacto da concessionária não é o mais adequado”, afirmou o delegado.
“O documento prevê que, diante de qualquer interrupção de energia, descarga ou outro fator, as primeiras medidas sejam manobras remotas feitas do Centro de Operações — e apenas depois o envio de equipes ao local. No dia do fato, houve uma anomalia registrada naquela região, mas a empresa religou a energia sem verificar o que estava ocorrendo, agindo de forma omissa e imprudente.”
Com base nessas conclusões, três funcionários da Equatorial Goiás foram indiciados por homicídio culposo e lesão corporal culposa — crimes cometidos sem intenção de matar. Os indiciados são o controlador, o supervisor direto e o gerente de operações do Centro de Operações da empresa.
O caso
A tragédia aconteceu enquanto Nathaly saía da papelaria onde trabalhava, a cerca de 100 metros do local da fatalidade. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a jovem salta da calçada e recebe a descarga elétrica ao atravessar a rua alagada.
Minutos antes do acidente, Nathaly chegou a gravar um vídeo mostrando a tempestade para justificar um possível atraso na escola, em Bonfinópolis, onde cursava o 2º ano do Ensino de Jovens e Adultos (EJA).
Segundo o Corpo de Bombeiros, a adolescente estava em contato com fiação de média tensão no momento do choque. A Polícia Militar e o Samu já realizavam o isolamento da área quando a concessionária chegou ao local.
Quem era Nathaly Rodrigues
Nathaly tinha 17 anos, morava em Bonfinópolis, cidade a cerca de 40 km de Goiânia, e trabalhava em uma papelaria no centro da capital. Descrita por amigos e familiares como uma jovem tranquila e sonhadora, Nathaly buscava crescimento profissional e independência.
Filha de Daiane e Júnior, o casal havia trabalhado como caseiros em fazendas no Mato Grosso antes de se estabelecer em Bonfinópolis, onde comprou uma pequena chácara há seis anos.
O que diz a Equatorial Goiás
Em nota, a Equatorial Goiás informou que ainda não teve acesso formal ao relatório conclusivo do inquérito e que acompanhará o caso pelas vias oficiais.
“A companhia ressalta que, em nenhum momento, as informações fornecidas às autoridades mencionam falha ou defeito na rede elétrica da região. A infraestrutura do sistema estava regular e as manobras operacionais realizadas no dia do ocorrido seguiram rigorosamente os protocolos técnicos aplicáveis ao setor elétrico”, diz a nota.
A empresa ainda destacou que o laudo da Polícia Científica apontou que o evento está relacionado a fatores externos ao sistema elétrico, reafirmando que seguirá colaborando com as autoridades.

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