MP denuncia presidente do Sindicato Rural de Rio Verde por estupro e ameaças a funcionárias
Olávio Teles é acusado de violência sexual, psicológica e coação contra funcionárias

Ex-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Rio Verde (GO), Olávio Teles Fonseca foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) pelos crimes de estupro, abuso sexual, violência psicológica e coação. A acusação tem como base relatos de funcionárias da entidade, que afirmam ter sido alvo das agressões dentro da sala ocupada por Teles quando ele comandava o sindicato.
Segundo depoimentos reunidos no inquérito, os episódios ocorriam em um ambiente restrito, sem circulação de pessoas e longe das câmeras de segurança. Quando as primeiras informações sobre os supostos crimes começaram a se espalhar internamente, Teles teria chorado e negado as acusações. Os abusos, segundo as vítimas, cessaram naquele momento — mas deram lugar a um novo ciclo de ameaças e perseguições, intensificado pelo poder hierárquico do então presidente.
As funcionárias relataram ainda que Teles costumava afirmar ser “rico e por isso jamais ficaria preso”.
Sala trancada e sem câmeras
A denúncia apresentada pelo MPGO reforça o que já havia sido apontado pela Polícia Civil: os crimes eram cometidos na sala da presidência, o único espaço do sindicato sem câmeras e com acesso controlado. De acordo com os relatos, Teles chamava funcionárias sob o pretexto de tratar de assuntos de trabalho, mas aproveitava os encontros para fazer comentários inapropriados sobre o corpo delas, realizar toques não consentidos e praticar atos classificados como crimes sexuais.
Ainda segundo a promotoria, após a circulação interna dos relatos de abuso, o ex-presidente demitiu uma das funcionárias que o havia denunciado e tentou criar intrigas entre os trabalhadores para enfraquecer as acusações — informação divulgada pela TV Anhanguera nesta quarta-feira (10).
Durante a investigação, outras mulheres procuraram a polícia, ampliando o número de vítimas listadas no procedimento.
Diretor também é acusado
Além de Olávio Teles, o MPGO denunciou Miguel Mendonça Cardoso, diretor de Tecnologia da Informação do sindicato. A promotoria sustenta que ele teria atuado para proteger o ex-presidente, realizando ligações para vítimas, incentivando-as a manter silêncio e a negarem o conteúdo das denúncias. Miguel responderá pelos crimes de coação e favorecimento.
Teles, por sua vez, foi denunciado por crimes sexuais, psicológicos, stalking e por coagir funcionárias.
Defesa critica prisão preventiva
À TV Anhanguera, a defesa do ex-presidente afirmou ter recebido a denúncia “com tranquilidade” e disse ter “plena convicção de que as acusações serão desmentidas na Justiça”.
Os advogados também alegaram que os fatos narrados “são antigos”, e afirmaram que irão demonstrar que não há qualquer conduta criminosa atribuível ao cliente. A defesa destacou ainda que Teles é réu primário, possui residência fixa, bons antecedentes e exerce atividade lícita — fatores que, segundo eles, tornam injustificada a manutenção da prisão preventiva.
O processo segue em tramitação sob responsabilidade do Ministério Público e da Justiça de Goiás.

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