Grupo condenado por fabricar e traficar rebites pagará R$ 50 milhões
O esquema englobava desde a produção das drogas até o transporte e a venda direta a caminhoneiros.

O Ministério Público de Goiás (MPGO) anunciou a condenação de integrantes de uma organização criminosa desarticulada há um ano pela Operação Ephedra, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O grupo é apontado como responsável pela fabricação e distribuição de anfetaminas — conhecidas como rebites — em rodovias de diferentes estados.
As penas impostas pela 1ª Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa de Goiânia chegam a 23 anos de prisão, além da determinação de pagamento de R$ 50 milhões por danos morais coletivos e perda de bens avaliados em até R$ 8 milhões.
Estrutura do esquema
A Operação Ephedra começou após levantamentos indicarem que o Centro-Oeste concentrava cerca de 90% das apreensões de anfetaminas do país. Desde então, dez ações penais foram abertas contra mais de 30 investigados.
A Justiça reconheceu que o grupo atuou entre 2019 e dezembro de 2024, com estrutura estável, divisão de funções e atuação interestadual, principalmente em Goiás, Tocantins e Bahia. O esquema englobava desde a produção das drogas até o transporte e a venda direta a caminhoneiros.
Condenações
Os condenados compunham o “eixo 3” do núcleo de produção da quadrilha. Entre eles está o líder identificado pelo MP:
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Wanderson Alcides Soares de Morais – apontado como chefe dessa célula criminosa, proprietário de um laboratório clandestino em Luís Eduardo Magalhães (BA) e de uma lanchonete usada como ponto de venda em Porangatu (GO).
Pena: 23 anos e 21 dias de reclusão + 3.051 dias-multa. -
Anderson Alves da Silva – considerado sócio de Wanderson na fabricação das drogas; ajudou a montar o laboratório, financiou insumos e usou documentos falsos. Está foragido desde a operação.
Pena: 18 anos, 11 meses e 15 dias de reclusão + 2.740 dias-multa (não pode recorrer em liberdade). -
Adenilton Pereira Montel (“Negão”) – gerente da lanchonete usada como ponto de venda; responsável pela comercialização dos rebites.
Pena: 10 anos e 11 meses de reclusão + 782 dias-multa (não pode recorrer em liberdade). -
Wanderson Marques da Silva e Gabriel Dias Martins – deslocavam-se ao laboratório na Bahia para produzir os comprimidos e ajudavam na logística.
Pena: 9 anos, 5 meses e 15 dias de reclusão + 636 dias-multa cada (podem recorrer em liberdade).
Sanções financeiras
Além das penas de prisão, os réus foram condenados solidariamente ao pagamento de R$ 50 milhões por danos morais coletivos, em razão dos impactos do tráfico de anfetaminas na saúde pública e na segurança do trânsito.
A decisão também determinou o perdimento de bens obtidos com a atividade criminosa:
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Wanderson Alcides – R$ 6,3 milhões
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Anderson Alves – R$ 1,1 milhão
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Gabriel Dias – R$ 219 mil
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Wanderson Marques – R$ 142 mil
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Adenilton Pereira – R$ 75 mil
Todos os bens apreendidos durante a operação serão incorporados à União.

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