Fraude em licitação de testes durante pandemia causou prejuízo de R$ 700 mil em Formosa
Segundo o MP, os crimes envolvem frustração do caráter competitivo e violação de sigilo em licitação, além de corrupção ativa e passiva.

O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou quatro pessoas por envolvimento em um esquema de fraude em licitação, corrupção e superfaturamento na compra de testes de Covid-19 pela Prefeitura de Formosa, durante a pandemia. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 700 mil.
A denúncia foi recebida pelo Juízo da 2ª Vara Criminal de Formosa, que determinou o sequestro de bens dos acusados no mesmo valor do dano apontado. Foram denunciados Rafael Magacho Vinícius dos Santos Silva, Bernardo Magacho dos Santos Silva, Leonardo Cândido Martins Bonini e Humberto de Alencastro Costa Ferreira.
Segundo o MP, os crimes envolvem frustração do caráter competitivo e violação de sigilo em licitação, além de corrupção ativa e passiva. O caso foi investigado pelo promotor de Justiça Douglas Chegury.
Fraudes e propina em contratos de testes de Covid-19
De acordo com a denúncia, o esquema funcionou em 2020, período de emergência sanitária. Os médicos Bernardo e Rafael, o empresário Humberto e o então procurador do município Leonardo Bonini teriam combinado previamente o resultado da licitação, com o objetivo de obter vantagem financeira ilícita.
Os dois médicos utilizaram a empresa Magacho Exportação & Importação Ltda. para importar e vender kits de detecção da Covid-19 com valores superfaturados. O MP afirma que o grupo identificou o poder público como “o filão a ser explorado” e que Humberto apresentou Leonardo aos demais para viabilizar o esquema dentro da Prefeitura de Formosa.
Mesmo antes da abertura formal da licitação, em 13 de maio de 2020, já havia tratativas entre os envolvidos. O processo só foi instaurado oficialmente no dia seguinte, 14 de maio, mas a empresa vencedora já estava previamente definida.
Licitação direcionada e documentos falsificados
Segundo o Ministério Público, o então procurador Leonardo Bonini — que mais tarde se tornaria secretário de Saúde — foi o responsável por conduzir o processo licitatório. Para dar aparência de legalidade, ele teria inserido no processo orçamentos falsos e propostas de empresas inexistentes, a fim de simular concorrência.
Bonini também elaborou o parecer jurídico que validou a contratação irregular. A entrega dos primeiros 5 mil kits de testes foi feita diretamente por Humberto, intermediador do grupo, ao procurador.
Próximos passos
Com o recebimento da denúncia, os acusados passam à condição de réus e poderão responder pelos crimes apontados. A Justiça determinou o bloqueio de bens para garantir o ressarcimento do valor supostamente desviado. O processo segue em tramitação na comarca de Formosa.

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