Ex-vereador usou identidade de analfabeto para embolsar verba pública em Aparecida
Esquema fraudulento articulado por ex-vereador desviou R$ 25 mil entre 2008 e 2009; vítima era analfabeta e teve identidade usada para receber salário fictício.

A Justiça de Goiás condenou oito pessoas por envolvimento em um esquema fraudulento que desviou R$ 25 mil dos cofres públicos da Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2008 e 2009. A decisão atendeu integralmente a uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público de Goiás (MPGO).
Entre os condenados está o ex-vereador Willian Ludovico de Almeida, apontado como principal articulador do golpe, que consistia na contratação de um funcionário fantasma para desviar recursos públicos. Também foram responsabilizados João Antônio Borges (ex-presidente da Câmara), João Bosco Boaventura (procurador), Olga Gonçalves Faria (tesoureira), Wilson Francisco dos Santos (assessor), além de outras três pessoas que colaboraram com o depósito de cheques falsificados.
Funcionário fantasma era analfabeto
A fraude foi descoberta após a vítima — um homem analfabeto e em condição de vulnerabilidade social — procurar o INSS para solicitar aposentadoria rural. O pedido foi negado sob a alegação de que ele teria exercido cargo de assessor parlamentar na Câmara entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2009, com salário mensal de R$ 2 mil — fato que ele desconhecia completamente.
Segundo o MPGO, Willian Ludovico obteve documentos da vítima em 2007, sob a promessa de doar um lote para moradia, o que jamais ocorreu. Com os dados em mãos, o ex-vereador forjou a contratação como assessor e passou a emitir cheques em nome do “laranja”. As assinaturas eram falsificadas, e o dinheiro era repassado a Ludovico, que usava terceiros, incluindo sua então noiva, Daiane de Fátima Costa, para depositar os valores em contas pessoais e devolver o montante em espécie.
Laudos periciais apontaram falsificações visíveis a olho nu nos endossos dos cheques. Quando o caso veio à tona, os envolvidos ainda tentaram encobrir o golpe, oferecendo R$ 1.070,00 à vítima para que assinasse recibos falsos — aproveitando-se de sua condição de analfabeto e prometendo resolver sua aposentadoria.
Condenações e penalidades
Todos os envolvidos foram condenados com penas que incluem:
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Suspensão dos direitos políticos por 14 anos
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Perda da função pública
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Proibição de contratar com o poder público de Aparecida de Goiânia por 14 anos
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Multa civil de R$ 25 mil (solidária entre os réus)
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Perda dos bens adquiridos ilicitamente
O juiz André Rodrigues Nacagami, do Núcleo de Justiça 4.0, responsável pela sentença, destacou na decisão que a improbidade administrativa representa uma "ilegalidade qualificada por outros elementos, que lhe dão uma dimensão de gravidade diferenciada". Ele também reforçou que a legislação "não pune a mera ilegalidade, mas sim o desvio de conduta de agentes públicos".
Após o trânsito em julgado, os nomes dos condenados serão incluídos no Cadastro Nacional de Condenados por Ato de Improbidade Administrativa. O valor da multa será revertido aos cofres do município de Aparecida de Goiânia.

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