Ex-deputado é acusado de estupro; dedos na genitália e sexo oral
Ex-deputado admite ter tido relação com a denunciante, mas se diz vítima de “revanche política” e nega as acusações

O ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Alexandre Freitas foi denunciado pelo Ministério Público do Estado (MPRJ) por estupro e lesão corporal grave contra sua então namorada. Os fatos teriam ocorrido em 2022, período em que os dois mantinham um relacionamento. Segundo a acusação, a mulher precisou passar por cirurgia para retirada de uma prótese mamária após o episódio.
Eleito deputado estadual em 2018 pelo partido Novo, Freitas deixou a sigla em 2021 e se filiou ao Podemos. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleito.
De acordo com a denúncia obtida pela coluna, o Ministério Público afirma que o ex-parlamentar “constrangeu sua namorada/vÌtima a praticar e permitir que com ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção carnal”, incluindo a introdução de dedos na genitália da vítima e a prática de sexo oral.
Ainda segundo o MPRJ, Alexandre Freitas teria atraído a então companheira até seu apartamento sob o pretexto de um jantar romântico. Durante a conversa, a mulher, identificada como A.P., contou que havia passado por uma reconstrução da mama e utilizava prótese mamária. Nesse momento, conforme o relato, o denunciado teria beliscado de forma violenta o mamilo direito da vítima, causando dor intensa.
“Você está louco?! Doeu! Que maluco!”, teria reagido a mulher, conforme registro do Ministério Público. A.P. afirma que, após o episódio, desenvolveu uma inflamação no local, o que levou à retirada da prótese.
À Polícia Civil do Rio de Janeiro, Alexandre Freitas admitiu que manteve um relacionamento com a ex-companheira, mas negou qualquer prática de violência ou abuso. Segundo ele, a mulher teria tentado extorqui-lo, ameaçando fazer uma denúncia falsa.
“Alexandre Teixeira de Freitas Rodrigues noticiou que teve um breve envolvimento de natureza sexo-afetiva com A.P., a qual alegou ter seus seios inflamados e necessitar de tratamento hospitalar. A.P., então, tentou obter dinheiro de Alexandre, ameaçando acusá-lo de violação sexual e outros crimes”, diz o registro da ocorrência policial.
Nas redes sociais, Alexandre Freitas se descreve como “político de direita”, “bem casado”, “cristão” e “gente boa”.
Defesa fala em “revanche política”
Em depoimento, o ex-deputado apresentou conversas trocadas por aplicativos de mensagens e afirmou que teve apenas dois encontros com a suposta vítima. Segundo a defesa, os diálogos mantinham tom amistoso, inclusive com conteúdo de teor sexual, até meados de dezembro de 2022.
No segundo encontro, de acordo com a versão apresentada, A.P. teria mostrado o seio esquerdo a Alexandre, que a orientou a procurar atendimento médico. O relatório da Polícia Civil aponta que, posteriormente, a mulher pediu dinheiro ao ex-parlamentar e acabou bloqueada por ele no aplicativo de mensagens.
“A análise do histórico de mensagens indica que, após a prática de atos libidinosos, ambos conversam amistosamente. Alexandre auxiliou A.P., orientando-a, levando-a ao hospital, visitando-a e conversando com o médico. Em 11 de janeiro de 2023, A.P. passou a pedir que Alexandre pagasse uma prótese de silicone”, afirma o inquérito.
Ainda segundo o documento, após a recusa em arcar com os custos, a mulher teria mencionado “exposição” e a busca pela “Justiça”, o que fez Alexandre se sentir chantageado. Em 24 de fevereiro de 2023, A.P. procurou a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) do Centro do Rio para registrar a denúncia de estupro com resultado de lesão corporal grave.
O advogado Rodrigo Roca, responsável pela defesa de Alexandre Freitas, afirmou que o ex-deputado é alvo de uma “revanche política” articulada por desafetos. “Alexandre Freitas foi vítima de uma falsa acusação. Por se tratar de processo sigiloso, não podemos expor toda a trama engendrada para prejudicá-lo”, disse.
Segundo o advogado, foi registrado boletim de ocorrência contra a denunciante por calúnia e extorsão. “As declarações dela em juízo deixam claro que se trata de uma acusação fabricada. Quando chamada a se explicar na delegacia, afirmou que só falaria em juízo”, completou.

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