Desembargador é preso suspeito de vazar informações para o Comando Vermelho
Operação da PF mira magistrado que teria favorecido facção; ex-presidente da Alerj também é alvo de buscas

A Polícia Federal (PF) prendeu o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), nesta terça-feira (16), durante a segunda fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura um grave esquema de vazamento de informações sigilosas de processos judiciais para integrantes do grupo criminoso Comando Vermelho (CV).
Júdice Neto é o relator do caso que envolve o ex-deputado Thiago Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, que foi detido por ter ligação direta com a facção. As apurações indicam que o magistrado teria agido para beneficiar a organização criminosa.
Novas Buscas e Envolvimento de Bacellar
A nova etapa da operação, que cumpre um mandado de prisão e dez de busca e apreensão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorre meses depois da primeira fase.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), que foi preso na primeira fase e solto por decisão do plenário da Alerj, é novamente alvo de buscas nesta terça-feira, assim como endereços no Espírito Santo.
As investigações da PF se aprofundaram após a apreensão do celular de Bacellar. De acordo com fontes policiais, há indícios de que o desembargador Júdice Neto auxiliou no vazamento da ação contra TH Joias. Uma das provas aponta que, em um restaurante, Macário estaria com Bacellar quando este ligou para o traficante para alertá-lo sobre a operação. Trocas de mensagens entre o desembargador e o ex-deputado também teriam sustentado a nova etapa da investigação.
TH Joias foi preso anteriormente sob suspeita de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, negociando armas para o Comando Vermelho.
Histórico de Afastamento do Desembargador
Esta não é a primeira vez que Macário Ramos Júdice Neto é alvo de investigação por irregularidades. O magistrado tem um longo histórico polêmico:
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Afastamento Prolongado: Ele havia voltado à magistratura em 2023, após passar quase 18 anos afastado por conta de denúncias do Ministério Público Federal (MPF) sobre sua atuação como juiz federal no Espírito Santo.
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Venda de Sentenças: O primeiro afastamento, em 2005, deu-se por uma ação penal que apurava sua suposta participação na venda de sentenças, em um esquema ligado à máfia dos caça-níqueis.
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Reintegração: Apesar de ter sido absolvido na ação criminal em 2015, ele permaneceu afastado por um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Em 2022, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou sua reintegração por considerar que o prazo para julgamento havia sido extrapolado.
A decisão de Moraes que embasou a prisão de Bacellar anteriormente citava "fortes indícios" da participação do político em organização criminosa, atuando pela "obstrução de investigações envolvendo facção criminosa". No caso mais notório, Bacellar avisou TH Joias sobre a iminente Operação Zargun, orientando-o a destruir provas.

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