Delegado da PC e esposa são denunciados por desvios de verba pública em Rio Verde
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa estruturada, que utilizava posições estratégicas de integrantes no poder público para desviar recursos de forma sistemática.

O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Sul (Gaeco Sul), ofereceu nesta segunda-feira (1º) duas denúncias relacionadas à Operação Regra Três, deflagrada em 21 de agosto. Na primeira denúncia, foram acusados os líderes da organização: o delegado da Polícia Civil Danilo Proto, sócio-proprietário do Instituto Delta Proto, atualmente preso preventivamente por decisão do Juízo da 2ª Vara das Garantias de Goiânia, e sua esposa, Karen de Souza Santos Proto, ex-secretária de Educação de Rio Verde, que ocupou o cargo de coordenadora regional de Educação entre 2019 e 2024.
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa estruturada, que utilizava posições estratégicas de integrantes no poder público para desviar recursos de forma sistemática. O esquema envolvia empresas de fachada, fraudes em contratações públicas, lavagem de dinheiro e o uso de cargos públicos para garantir impunidade.
Estima-se que, desde 2020, o esquema teria desviado mais de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos por meio de, pelo menos, 40 procedimentos de dispensa de licitação que teriam sido fraudados. Devido à complexidade dos fatos e ao número de pessoas envolvidas, o MPGO optou por apresentar duas denúncias distintas, garantindo a razoável duração do processo.
Também são alvo da acusação outros integrantes que cometeram crimes por meio do Programa Reformar, de outros programas de obras e serviços da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e da impressão do material pedagógico do Revisa Goiás. Os crimes imputados incluem organização criminosa, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional, ameaça e prevaricação.
A segunda denúncia envolve os mesmos integrantes por diversos crimes relacionados a contratações fraudulentas através do Programa Reformar e de outros programas da Seduc. As acusações incluem contratação direta ilegal, peculato, falsificação e uso de documento particular e lavagem de capitais.
O MPGO respeitou os prazos legais para casos envolvendo investigados presos preventivamente. Quanto aos crimes relacionados à contratação fraudulenta para o concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde, o Gaeco Sul esclarece que eles serão objeto de ação penal própria, a ser oferecida nos próximos dias.

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