Copa do Mundo antecipa Júri do caso Valério Luiz em Goiânia
O juiz Lourival Machado justifica que algumas testemunhas trabalham com jornalismo esportivo e, por isso, podem ter que acompanhar o evento

Tribunal do Júri do caso Valério Luiz, que julga o envolvimento do ex-presidente do Atlético-GO, Maurício Sampaio, apontado como mandante da execução do jornalista, e quatro comparsas, Urbano de Carvalho, Ademá Figueiredo, Marcus Vinícius Pereira Xavier; e Djalma da Silva, acusados pela execução do crime, adiado para dezembro no último dia 14, foi remarcado novamente, porém, antecipado para 7 de novembro para não coincidir com a Copa do Mundo.
O juiz Lourival Machado, em documento assinado nessa sexta-feira (24), em Goiânia, explicou que algumas testemunhas do caso trabalham com jornalismo esportivo e, por isso, podem ter que acompanhar presencialmente eventos da competição, que acontecerá no entre 21 de novembro a 18 de dezembro no Catar, continente asiático.
“O propósito é para que não seja mais uma vez frustrada a sessão de julgamento", explica o magistrado sobre o julgamento já foi adiado por quatro vezes.
Lourival determinou que o júri seja realizado às 8h30 no auditório do Plenário do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, em Goiânia. O juiz também ordenou que Ministério Público e as defesas dos réus sejam notificados da alteração na data da sessão.
Entenda
Tribunal do Júri do caso Valério Luiz, retomado pela quarta vez no último 13 foi adiado no dia seguinte, após um dos jurados sair do isolamento, em um hotel da Capital, durante a madrugada sob alegação de “estar passando mal”, devido ser intolerante à lactose, mas ter jantado lasanha e estrogonofe, e ido para casa tomar remédio.
A saída do hotel “quebra o princípio da isenção do jurado”, que durante o período do julgamento só poderia ter contato com os demais jurados.
Com isso, o juiz Lourival Machado sob justificativa de “dissolvição do júri” adiou o julgamento, até então, para dia 5 de dezembro, quanto retomaria desde à fase inicial, com a escolha de novos jurados e as testemunhas ouvidas novamente. Agora remarcado para 7 de novembro.
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Filho de Valério Luiz - Advogado assistente de acusação do júri
O advogado Valério Luiz Filho, um dos assistentes de acusação do júri, disse que é "emocionalmente difícil" saber que o julgamento dos acusados de matar o pai foi adiado pela 4ª vez. Ressaltou ainda que “não se sabe” o que o jurado fez na madrugada e por isso o MP entendeu que não havia condições de continuar.
"Eu pessoalmente queria continuar, mas o MP, como fiscal da lei, viu que não havia condições porque a gente não sabe o que o jurado fez na madrugada. Queria fazer um apelo para que, na próxima sessão o tribunal reforce a segurança dos jurados”, ressaltou o advogado.
Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO)
O TJGO explicou que o mal-estar e a falta de condições para participar da sessão foram constatados, já em plenário, por médico da instituição.
Ressaltou ainda que não há necessidade de segurança no hotel, visto que qualquer tipo de ameaça a jurado já invalidaria sua participação, que precisa ser isenta e que a manutenção da incomunicabilidade é feita por oficial de justiça. No entanto, observa que não houve qualquer prejuízo processual, uma vez que foi dissolvido o Conselho de Sentença.
O caso
Valério Luiz tinha 49 anos, dois empregos. Era comentarista em um programa de esportes da PUC TV, e também trabalhava em uma rádio. Era polêmico e não media as palavras quando as críticas eram contra o time do coração: o Atlético-GO.
Para a polícia e o Ministério Público, Maurício Sampaio é considerado o mandante do crime.
Segundo as investigações, ele teria encomendado a morte do jornalista para dois policiais militares - que faziam informalmente a segurança dele: sargento Djalma da Silva e o cabo Ademá Figuerêdo.
O esquema também teria contado com a ajuda de uma espécie de faz tudo do dirigente, Urbano Malta, e de um informante da polícia: Marcus Vinícius Pereira Xavier.
Depois de quase um ano de investigação, eles chegaram a ser presos por 90 dias, em 2013, mas desde então aguardam o julgamento em liberdade.
Marcus Vinícius tinha um açougue, que vendia espetinhos. Segundo ele, a ação foi planejada pelo sargento Djalma da Silva - que é apontado como articulador do crime.
A tarefa de Marcus Vinícius, segundo a polícia, foi arrumar uma moto, capacete e uma camiseta para serem usados no crime. O assassino, ainda segundo a polícia, seria Ademá Figuerêdo, que no dia da execução saiu de um condomínio próximo, e seguiu até onde estava Marcus Vinícius.
Dos cinco réus, só Marcus Vinícius confessou a participação no crime. Desde que a Justiça decidiu que os acusados iriam a júri popular, as defesas recorreram em todas as instâncias pelos mais variados motivos.
Hoje, Maurício Sampaio ocupa o cargo de conselheiro do Atlético-GO. A defesa dele diz que não há provas para condená-lo. Em nota, o Atlético-GO disse que não vai se manifestar sobre o julgamento.

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