Servidores da Comurg presos por fraude em esquema milionário são identificados
Polícia aponta suspeita de fraude em acordos extrajudiciais dentro da Comurg e investiga prejuízo de R$ 13 milhões. Empresa diz que apurações internas ajudaram a revelar irregularidades

Os alvos da polícia durante a operação Pacto Oculto, nas primeiras horas desta quinta-feira (21), que investiga fraudes em acordos extrajudiciais na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), presos temporariamente são: o então chefe do departamento jurídico da Comurg, Márcio Antunes Porfirio, o ex-assessor jurídico Jalles Ferreira de Oliveira e o servidor efetivo Emerson Marques Brito.
Operação Pacto Oculto foi deflagrada pela Polícia Civil de Goiás para investigar um suposto esquema de fraudes milionárias dentro da Comurg e conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), que apura crimes como peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com um prejuízo investigado que chega a aproximadamente a R$ 13 milhões.
Segundo a polícia, o grupo é suspeito de participação em irregularidades envolvendo acordos extrajudiciais firmados entre 2022 e 2024 com empregados da companhia, principalmente em ações ligadas a diferenças salariais por suposto desvio de função.
Ao todo, a investigação identificou 35 acordos sob suspeita. A polícia afirma ter encontrado tramitação acelerada dos processos, falta de autorizações internas e ausência de documentos que comprovassem os direitos reivindicados.
As apurações também apontam que servidores ligados aos setores jurídico e de protocolo teriam atuado para liberar pagamentos e depois exigido a devolução de até 60% dos valores recebidos pelos beneficiários.
A operação mobilizou 105 policiais civis e cumpriu 55 medidas judiciais, entre buscas e apreensões, prisões temporárias, afastamentos de funções públicas e quebras de sigilos bancário e fiscal em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Trindade. A Justiça ainda determinou o bloqueio de R$ 3,5 milhões em bens e valores.
Comurg diz que apuração interna ajudou investigação
Após a operação, a Comurg informou que as irregularidades investigadas são relacionadas a gestões anteriores e afirmou que as próprias investigações internas da companhia contribuíram para o avanço do caso.
De acordo com a empresa, as apurações começaram em janeiro de 2025 por determinação do prefeito Sandro Mabel. A companhia informou que encaminhou documentos e evidências para a Polícia Civil, Ministério Público de Goiás e OAB-GO.
Na nota, a Comurg afirmou ter encontrado indícios de pagamentos considerados indevidos e feitos fora dos trâmites normais da empresa, além de suspeitas de supressão de registros físicos e digitais.
Parte dos documentos, segundo a companhia, foi recuperada posteriormente pelas equipes técnicas.
A empresa informou ainda que abriu 39 apurações internas desde o início da atual gestão, sendo 30 já concluídas e enviadas aos órgãos de controle.
No âmbito disciplinar, a Comurg instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs) que terminaram com a demissão de 11 empregados por irregularidades.
A companhia reforçou que mantém colaboração integral com as investigações e reiterou compromisso com a legalidade e a fiscalização dos recursos públicos.
Veja íntegra do posicionamento da Comurg:
“A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) esclarece que a operação deflagrada nesta quinta-feira (21/5) pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) está relacionada à irregularidades em processos administrativos de gestões anteriores, o que motivou a instauração de procedimentos internos de apuração e o encaminhamento de documentos e informações à Polícia Civil de Goiás (PCGO), ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) e à Ordem dos Advogados do Brasil --- Seccional Goiás (OAB-GO).
As apurações internas conduzidas pela atual gestão foram iniciadas em janeiro de 2025, sob determinação do prefeito Sandro Mabel. Com encaminhamento formal de evidências pela própria Companhia às autoridades competentes.
As investigações identificaram indícios de pagamentos indevidos e desproporcionais, realizados à margem dos fluxos regulares de tramitação interna, além de evidências de supressão de registros processuais físicos e digitais. Parte dos registros foi posteriormente recuperada por rastreamentos conduzidos pelas equipes técnicas da Companhia.
Desde o início da gestão atual, foram implementadas medidas sistemáticas de controle interno, fiscalização e transparência. Até o momento, foram instauradas 39 apurações internas. Destas, 30 já foram concluídas e os respectivos elementos encaminhados aos órgãos competentes.
No âmbito disciplinar, a Comurg instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs), resultando na demissão de 11 empregados após comprovação de irregularidades de conduta.
No âmbito disciplinar, a Comurg instaurou Processos Administrativos Disciplinares (PADs), resultando na demissão de 11 empregados após comprovação de irregularidades de conduta.
A Comurg reafirma seu compromisso irrestrito com a legalidade, a ética e a correta aplicação dos recursos, e colabora integralmente com todos os órgãos de investigação, fiscalização e controle.
Companhia de Urbanização de Goiânia --- Comurg”

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