Mensagens encontradas no celular de João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), indicam um suposto esquema de transporte de grandes quantias em dinheiro vivo destinadas ao empresário goiano Adair Antônio de Freitas Meira, de 63 anos, presidente de uma ONG ambiental e um dos fundadores do sistema Sagres de Comunicação.
As informações constam em relatório da Polícia Civil encaminhado à Justiça no âmbito da Operação Contaminatio, que apura a atuação de um núcleo político ligado à facção. A investigação também envolve outras pessoas e levou ao pedido de prisão dos citados. As informações foram publicados pelo Metrópoles.
De acordo com o documento, Meira realizaria transferências para a fintech 4TBANK por meio de boletos considerados “possivelmente fraudulentos”. Esses pagamentos seriam feitos por empresas e fundações ligadas ao empresário. Em seguida, os valores retornariam a ele em dinheiro vivo, com transporte, em grande parte, realizado por helicópteros.
As conclusões da polícia se baseiam no cruzamento de mensagens trocadas entre os investigados com Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Segundo os investigadores, o esquema envolveria valores milionários e teria como objetivo dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
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As mensagens analisadas indicam que a relação entre Yamawaki e Meira teria começado em 2021. Em um dos registros, o empresário teria pago R$ 100 mil à fintech. Em outra ocasião, há referência à cobrança de valores adicionais relacionados a custos de transporte aéreo.
Também foram identificadas conversas sobre saques de grandes quantias em espécie, incluindo uma operação de R$ 1,38 milhão, retirada de forma fracionada em diferentes datas. Parte desses valores teria sido movimentada por terceiros ligados aos investigados.
A investigação aponta ainda que encontros presenciais e viagens, inclusive para Brasília, teriam sido utilizados para a entrega de dinheiro. Em uma das mensagens, Yamawaki pede que uma pessoa leve uma “bolsinha” ao aeroporto, o que, segundo a polícia, indicaria a entrega direta de valores.
Outros episódios mencionados incluem encontros em São Paulo e em Palmas, onde teriam sido negociadas quantias que chegam a milhões de reais. A polícia classifica essas operações como parte do “caminho de volta do dinheiro”.
Em nota, a defesa de Adair Meira negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas e afirmou que as acusações não têm base concreta. Segundo os advogados, as alegações se apoiam em registros frágeis e contestados, e o empresário está disposto a prestar esclarecimentos às autoridades.
O caso segue sob investigação para apurar a veracidade das informações e a possível participação dos envolvidos no esquema.