Ex-vereador condenado por desviar R$ 8 milhões "ganha" cargo na gestão Rogério Cruz
Amarildo Pereira foi condenado por desvio de R$ 640 mil quando era diretor da Comob. Como vereador foi processado também por fraudes no INSS no montante de R$ 7 milhões

O prefeito Rogério Cruz (Republicanos) reconduziu ao cargo de procurador do Município, o ex-vereador, condenado por desvio de dinheiro público, Amarildo Pereira. A nomeação foi publicada no Diário Oficial que circula nesta quarta-feira (27).
"Reconduzir o servidor AMARILDO PEREIRA, matrícula nº 8365801, CPF nº 260.795.181-04, ao cargo efetivo de Procurador do Município, Classe II, Padrão “P”, da Lei Complementar nº 313, de 30 de outubro de 2018, com lotação na Procuradoria Geral do Município", diz trecho do documento.
O G5News apurou que um procurador Classe II ganha cerca de R$ 27.272,32 bruto.
A decisão ocorreu por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que acatou o pedido feito pela defesa de Amarildo. O retorno do ex-vereador ocorre um ano e meio depois de ter perdido o cargo por desvio de dinheiro quando era diretor da Companhia Municipal de Obras de Goiânia (Comob).
Amarildo conseguiu convencer à Justiça que a perda do cargo deveria ter ocorrido à época da descoberta dos crimes, ou seja, entre 1999 e 2000, e não em 2014, ano em que foi condenado e já era procurador. Ele também foi vereador entre os anos de 2001 e 2008.
Ao avaliar o caso, o ministro Rogério Schietti Cruz afirmou que a ocorrência aponta para "coação ilegal", pois, Amarildo deveria ter sido afastado do cargo à época dos fatos e não agora.
Ele deixou a Procuradoria em 2020 por decisão do então prefeito Iris Rezende (já falecido). Foi nessa época que o ex-vereador entrou com ação no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Com a solicitação negada, acionou o STJ.
Desvios
O ex-vereador foi condenado à época que era diretor da extinta Comob. Ele teria liquidados irregularmente cheques que deveriam ter sido usados para pagar o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), falsificando guias de recolhimentos e notas fiscais em duplicidade. Com isso, segundo a denúncia, conseguiu desviar cerca de R$ 640 mil. Além disso, antes de descobrir o caso da Comob, Amarildo havia sido investigado por desvio de R$ 7 milhões do INSS da Câmara de Goiânia.
Ele chegou a ser condenado a sete anos de cadeia, mas conseguiu recorrer aos crimes em liberdade, que teve prescrição em 2020, sem que cumprisse a pena em regime fechado.
Já a denúncia da Secretaria de Obras ocorreu em 2006 e o julgamento em 2014. Ele chegou a ter pedido de prisão feito, porém, conseguiu revogar e cumpriu a pena no semiaberto com uso de tornozeleira.

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