CPI chama Marconi Perillo para explicar rombo de milhões nas contas do Jockey Club de SP
A CPI foi criada para investigar possíveis irregularidades fiscais e imobiliárias envolvendo o Jockey Club.

O ex-governador de Goiás e presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, foi chamado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Jockey Club da Câmara Municipal de São Paulo para prestar esclarecimentos sobre a administração da instituição. O convite foi aprovado nesta terça-feira (11).
Além de Perillo, a comissão também aprovou o depoimento de Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e ex-presidente e atual integrante do Conselho de Administração do Jockey Club. Os requerimentos foram apresentados pelo vereador Gilberto Nascimento Júnior (PL), presidente da CPI.
Perillo integrou o Conselho de Administração do Jockey Club e deverá ser questionado principalmente sobre questões administrativas, financeiras e patrimoniais relacionadas à chamada Transferência do Direito de Construir, além das obrigações financeiras da instituição com o município de São Paulo.
A CPI foi criada para investigar possíveis irregularidades fiscais e imobiliárias envolvendo o Jockey Club, além da gestão de débitos tributários, a utilização do potencial construtivo da área e uma eventual omissão do poder público na fiscalização da entidade.
Recursos que estão no centro das apurações
A situação ganhou repercussão depois de uma investigação do UOL apontar possíveis inconsistências na aplicação de recursos destinados à restauração da sede histórica do Jockey Club.
Segundo o levantamento, o clube recebeu R$ 83,6 milhões em incentivos fiscais entre 2018 e 2025. Desse total, R$ 22,4 milhões foram captados por meio da Lei Rouanet e outros R$ 61,2 milhões vieram de recursos municipais relacionados à preservação do patrimônio. A prestação de contas de parte desses valores foi questionada.
A reportagem apontou pagamentos a empresas cuja atuação ou localização não teria sido comprovada, além de despesas consideradas incompatíveis com os projetos de restauração. Também foram identificadas empresas e pessoas com vínculos familiares ou empresariais com pessoas próximas a Marconi Perillo.
Entre as empresas citadas está a produtora cultural goiana Elysium, que passou a representar o Jockey Club em 2020. A empresa foi criada como Organização Social de Cultura em 2014, durante o período em que Perillo era governador de Goiás. Segundo o UOL, Perillo teria indicado a produtora para coordenar parte do projeto de restauração. O ex-governador, porém, nega envolvimento nas supostas irregularidades.
Também aparece nas apurações a Construtora Vidal, de Goiânia. Segundo o UOL, o Jockey declarou pagamentos de R$ 11,2 milhões à empresa, mas a reportagem não conseguiu localizar a construtora nos endereços informados nos documentos apresentados na prestação de contas.
Dívida milionária também está na mira da CPI
Além da utilização dos recursos destinados à restauração, a situação financeira do Jockey Club é outro ponto investigado pelos vereadores.
Segundo a Câmara Municipal de São Paulo, a entidade possui quase R$ 1 bilhão em débitos de tributos municipais, incluindo o IPTU. A CPI também pretende verificar a existência de eventuais passivos trabalhistas, a destinação de recursos públicos e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização.
O tema já vinha sendo acompanhado pela comissão. Em maio deste ano, por exemplo, os vereadores ouviram um representante de uma empresa envolvida em um contrato de aproximadamente R$ 23,44 milhões relacionado à aquisição e cessão de potencial construtivo.
O que acontece agora
Com a aprovação dos requerimentos, Marconi Perillo e Benjamin Steinbruch deverão ser chamados para prestar esclarecimentos aos integrantes da CPI. Os depoimentos podem ajudar os vereadores a entender como eram tomadas as decisões administrativas e financeiras do Jockey durante o período em que os dois participaram da gestão da instituição.
A comissão ainda deverá analisar documentos, contratos e prestações de contas para verificar se houve irregularidades na aplicação dos recursos e na administração do patrimônio do clube.
Até o momento, as suspeitas investigadas pela CPI não representam, por si só, uma conclusão de responsabilidade contra os envolvidos. O objetivo da comissão é reunir informações e documentos que possam esclarecer os fatos e apontar eventuais responsabilidades, caso sejam identificadas.

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