Candidato a Federal, Quirino defende criação de Ministério da Pessoa Idosa; assista
Ainda no mandato de deputado estadual afirma que envelhecimento acelerado do país exige estrutura própria no governo federal e alerta: “Senão a gente vai ter uma crise no Brasil”

O deputado estadual Ricardo Quirino (Republicanos) já mira Brasília. Com mandato na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) até 2027, o parlamentar pretende disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados e levar para o Congresso Nacional uma de suas principais bandeiras: a defesa da população idosa.
Em entrevista exclusiva ao G5Entrevista, conduzida pelo jornalista Rafael de Sousa, Quirino afirmou que uma de suas propostas é a criação de um ministério voltado especificamente para o envelhecimento da população brasileira. Veja vídeo no final da reportagem
Nascido em 22 de setembro de 1964, no bairro Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, Ricardo Quirino é pastor evangélico, radialista e bacharel em Direito, além de possuir pós-graduação em Gerontologia e Geriatria. Antes da política, também passou pelo esporte, tendo atuado no basquete do América Football Club e do Sport Club Mackenzie, no Rio.
Em 2022, Quirino foi eleito deputado estadual por Goiás com 31.559 votos, conquistando seu primeiro mandato na Alego. Sua principal base eleitoral está no Entorno do Distrito Federal.
“Nós precisamos ter uma secretaria, um ministério que cuide do envelhecimento”
O parlamentar também ocupa o posto de secretário-executivo nacional do movimento setorial Idosos Republicanos.
Logo no início do mandato, Quirino foi escolhido presidente da Comissão de Atenção à Pessoa Idosa da Alego. A criação do colegiado marcou a primeira vez na história da Assembleia Legislativa de Goiás em que uma comissão específica passou a discutir assuntos relacionados à população idosa.
Outra iniciativa adotada no começo do mandato foi a implantação da Frente Parlamentar em Defesa do Entorno do Distrito Federal. A proposta recebeu aprovação unânime dos deputados presentes na sessão.
A frente foi criada com a missão de acompanhar e estimular políticas públicas para a região em áreas como infraestrutura, saúde, educação e segurança, além de fiscalizar demandas relacionadas aos municípios do Entorno.
Agora, ao projetar uma atuação no Congresso Nacional, Quirino afirma que pretende ampliar essas bandeiras e transformar o envelhecimento da população em uma discussão de alcance nacional.
Questionado por Rafael de Sousa sobre o que ainda precisa ser feito no Brasil, o deputado respondeu que “falta muito” e revelou que já trabalha na elaboração das propostas que pretende defender durante sua pré-candidatura.
Entre elas está a criação de uma estrutura específica no governo federal para tratar do envelhecimento.
“Nós precisamos ter uma secretaria, um ministério que cuide do envelhecimento”, afirmou.
Para Quirino, a discussão não deveria ser encarada simplesmente como a criação de “mais um ministério”, mas como uma resposta a uma mudança demográfica que já está em andamento no país.
Segundo o deputado, milhares de brasileiros chegam todos os dias às faixas dos 60, 62, 63, 64 e 65 anos, aumentando a necessidade de políticas
Já é tardio nós termos um ministério que cuide do envelhecimento, com profissionais, pessoas adequadas para cuidar de uma área que é veloz
públicas específicas para essa parcela da população.
Durante a entrevista, ele também ressaltou a importância econômica das aposentadorias, pensões e demais transferências de renda recebidas por idosos, principalmente nos municípios menores.
Quirino afirmou que, em sua avaliação, caso esses recursos deixassem de circular, “40% dos municípios brasileiros quebravam”, especialmente aqueles cuja economia depende fortemente da renda previdenciária.
“Já é tardio nós termos um ministério que cuide do envelhecimento, com profissionais, pessoas adequadas para cuidar de uma área que é veloz”, declarou.
O parlamentar argumentou ainda que o envelhecimento não deve ser tratado apenas como uma questão de saúde. Para ele, o fenômeno afeta diretamente emprego, consumo, geração de renda e a própria organização da economia brasileira.
Quirino citou a chamada “Economia Prateada” e afirmou que, de cada R$ 10 gastos no país, R$ 4 viriam de pessoas com mais de 60 anos. Segundo ele, essa população continua trabalhando, empreendendo e participando de setores como agronegócio, esporte e cultura, além de sustentar financeiramente muitas famílias.
“Precisa ter um olhar mais compromissado com esta população, porque senão a gente vai ter uma crise no Brasil”, alertou.
O deputado também apontou reflexos do envelhecimento nos serviços públicos. Como exemplo, mencionou unidades de saúde nas quais, segundo ele, a própria fila de atendimento prioritário para idosos chega a superar a fila convencional.
Outro problema levantado por Quirino é a reposição de trabalhadores especializados que estão chegando à aposentadoria.
Faltam profissionais no mercado, porque aqueles especialistas estão entrando na área de aposentadoria. Como repor isso?
Ele usou o Japão como exemplo de país que enfrenta forte envelhecimento populacional e dificuldades de reposição da mão de obra. Para o parlamentar, o Brasil começa a lidar com um desafio semelhante em determinadas profissões.
Quirino citou vagas para marceneiros, motoristas e outros profissionais que permanecem abertas enquanto trabalhadores mais experientes deixam o mercado.
Na avaliação do deputado, as novas gerações têm buscado outras áreas diante das mudanças provocadas pela internet, pelas redes sociais e pelas novas formas de comunicação e trabalho.
“Faltam profissionais no mercado, porque aqueles especialistas estão entrando na área de aposentadoria. Como repor isso?”, questionou.
É justamente nesse cenário que Quirino pretende colocar o envelhecimento no centro de sua plataforma para tentar trocar a Assembleia Legislativa pela Câmara dos Deputados. Para ele, o aumento da população acima dos 60 anos já produz efeitos na saúde, no emprego e na economia — e exige uma resposta nacional.

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