Caiado deixa "Governo Federal" para trás e articula acordo com Trump sobre terras raras
Parceria prevê cooperação em minerais críticos, enquanto estado concentra única mina em operação no país e avança em negociações com os EUA

O governador Ronaldo Caiado (PSD) assina nesta quarta-feira (18) um memorando de entendimento com o governo de Donald Trump para cooperação na área de minerais críticos e terras raras. O acordo será formalizado em São Paulo, durante evento no consulado americano.
Goiás abriga hoje a única mineradora de terras raras em operação no Brasil, localizada no município de Minaçu, no norte do estado — fator que coloca a região no centro da disputa global por esses insumos estratégicos.
Segundo material de divulgação do evento, o acordo “visa fortalecer a cooperação em minerais críticos e terras raras, promovendo pesquisa, capacitação e um ambiente regulatório transparente e competitivo, além de estimular parcerias entre instituições governamentais, acadêmicas e do setor privado e apoiar o desenvolvimento de processamento e manufatura de maior valor agregado em Goiás”.
O encontro ocorre no Consulado-Geral dos Estados Unidos, antes de uma agenda da Câmara Americana de Comércio para o Brasil que vai discutir o tema com autoridades dos dois países e executivos do setor.
Uma das presenças esperadas, a de Danrren Beattie, conselheiro de Trump, foi barrada no Brasil. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão é uma resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Negociações avançam por fora
As tratativas entre Brasil e Estados Unidos sobre minerais críticos se arrastam desde 2025, com resistência do governo federal. Em paralelo, Caiado avançou em negociações próprias.
No início de fevereiro, o governador esteve em Washington durante evento em que os EUA anunciaram alianças com países da Europa, Japão e México para reforçar cadeias de suprimento. O chanceler Mauro Vieira foi convidado, mas enviou um representante de menor escalão.
Um dia após a viagem, a mineradora Serra Verde — única em atividade no país no segmento — informou que o banco estatal americano DFC ampliou para US$ 565 milhões o financiamento à empresa. O acordo inclui ainda a possibilidade de participação acionária minoritária do governo dos EUA.
Outro projeto em Goiás é o da mineradora Aclara, que já recebeu aporte de US$ 5 milhões do DFC, com opção de conversão em participação futura. A empresa também planeja instalar uma refinaria nos Estados Unidos até 2028.
Limites legais e riscos
Especialistas apontam, no entanto, limites para a atuação de governos estaduais nesse tipo de negociação. Segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, estados podem firmar acordos de cooperação, mas tratados internacionais são competência exclusiva da União.
Além disso, a autorização para pesquisa e exploração mineral cabe à Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao governo federal. Aos estados, resta principalmente o licenciamento ambiental e a concessão de incentivos fiscais.
Barral alerta ainda que favorecer empresas de um país específico pode gerar questionamentos na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Pauta pode chegar a encontro Lula-Trump
A expectativa é que o tema dos minerais estratégicos entre na pauta de uma possível reunião entre Trump e Lula, em Washington. O encontro estava previsto para março, mas pode ser adiado por compromissos do presidente americano relacionados ao conflito com o Irã.

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