Cães morrerem “mumificados” e dono de hotel "assistia" animais agonizando
Investigação começou após vizinhos denunciarem cheiro insuportável de decomposição em imóvel de Planaltina. Justiça afirmou que os cães “definharam por semanas” sem água e comida

O que deveria ser um espaço de cuidado e proteção para cães acabou transformado em um cenário de horror em Planaltina, no Distrito Federal. O dono de um hotel para animais, Victor Gabriel Fagotti, de 21 anos, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) a quatro anos de prisão em regime semiaberto pela morte de seis cães vítimas de inanição e desidratação severas dentro do estabelecimento.
A sentença, que causou revolta entre defensores da causa animal e moradores da região, detalha uma sequência de maus-tratos extremos que chocou até os investigadores responsáveis pelo caso. Apesar da condenação, o réu poderá recorrer em liberdade.
A investigação teve início em setembro de 2025, depois que tutores de animais e vizinhos passaram a procurar a polícia para denunciar o forte cheiro de decomposição que saía do imóvel. O odor, descrito como insuportável, já tomava conta da vizinhança havia dias.
Quando os policiais entraram no local, encontraram uma cena descrita nos autos como semelhante a “filme de terror”. Seis cães estavam mortos em cômodos fechados, em avançado estado de putrefação, sem qualquer acesso a água ou alimentação. Outros dois animais ainda foram encontrados vivos, mas em estado crítico, sofrendo com desnutrição e desidratação agudas.
Na decisão, a Justiça apontou que os animais passaram semanas agonizando até morrerem lentamente.
“Os animais definharam por semanas, consumindo a própria musculatura até atingirem o estado de mumificação. O réu presenciava a agonia diária de cada um deles e optava por manter a omissão”, destacou a sentença.
Segundo a apuração, numa tentativa de esconder os rastros do crime, Victor Gabriel Fagotti teria jogado produtos químicos corrosivos sobre os corpos dos animais. A intenção, conforme o processo, seria acelerar a decomposição dos cadáveres e diminuir o cheiro que já denunciava a tragédia dentro do imóvel.
Durante o processo, o acusado alegou ter sofrido um acidente e afirmou que os cuidados dos cães teriam sido repassados a um suposto caseiro. A versão, porém, foi descartada pela Justiça por falta de provas e inconsistências apresentadas pela defesa.
Mesmo condenado, Fagotti responderá em liberdade até o julgamento definitivo do caso. O Ministério Público do Distrito Federal já prepara recurso para pedir aumento da pena, considerada baixa diante da brutalidade dos fatos e da quantidade de animais mortos.
O caso reacendeu discussões sobre fiscalização de hotéis para animais e punições mais severas para crimes de maus-tratos. Nas redes sociais, ativistas e protetores independentes classificaram o episódio como um dos mais cruéis já registrados na região nos últimos anos.

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