Após vereadores limitarem suplementação orçamentária, Naves faz críticas; veja vídeo
Suplementação autorizou recursos para pagamento de pessoal e apoio à Santa Casa, mas deixou outros serviços e despesas de fora, segundo o prefeito

A recente suplementação orçamentária aprovada parcialmente pela Câmara Municipal de Anápolis, na última quinta-feira (12), foi criticada pelo prefeito Roberto Naves (Republicanos). Embora a suplementação tenha autorizado recursos para pagamento de pessoal e apoio à Santa Casa, outros serviços e despesas foram deixados de fora, o que motivou duras críticas do prefeito. Por outro lado, parlamentares alegam que as falhas na apresentação de dados por parte do Executivo dificultaram a aprovação integral do projeto.
O embate ocorre em meio ao período de transição político-administrativa em Anápolis, já que Roberto Naves está encerrando o seu segundo mandato consecutivo e será sucedido por Márcio Corrêa (PL).
Em publicação nas redes sociais, Roberto Naves lamentou a decisão da Câmara de limitar a suplementação orçamentária a áreas específicas, como a folha de pagamento de servidores e subsídios para a Santa Casa, enquanto outras demandas ficaram sem atendimento.
Entre os serviços que ficaram de fora, o prefeito destacou o veto aos pagamentos relacionados à coleta de lixo, manutenção de vias públicas (como o programa tapa-buracos), apoio a instituições do terceiro setor, compra de materiais para sepultamentos, operação de sistemas educacionais e até combustível para ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
“Infelizmente, para agradar o próximo prefeito, eles vetaram o pagamento do lixo, do tapa-buraco, das instituições do terceiro setor, do material necessário para sepultamentos, do sistema utilizado para matricular os alunos na rede municipal de ensino e até da gasolina que é utilizada nas ambulâncias do SAMU”, afirmou Roberto Naves em tom de desabafo.
O prefeito também ressaltou que Anápolis alcançou um superávit orçamentário de mais de R$ 120 milhões e que os valores estão disponíveis em caixa, mas que, sem a devida autorização legislativa, sua administração fica impossibilitada de executar os pagamentos necessários para resolver essas pendências.
“Nós pedimos para a Câmara de Vereadores a autorização para movimentar o orçamento, para a gente poder pagar as contas, já que nós temos o dinheiro e está em caixa. Em outros anos foi preciso também fazer esse remanejamento orçamentário, e nunca tinha sido gerada essa celeuma e essa problemática que foi criada dessa vez”, declarou.
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Por outro lado, vereadores da Câmara Municipal criticaram a forma como o Executivo apresentou as informações sobre a suplementação. Segundo relatos, a planilha apresentada pelo prefeito continha dados vagos e insuficientes, o que impossibilitou uma análise criteriosa e transparente do uso do orçamento proposto.
“Ele mandou uma planilha com uma rubrica aberta. Ele colocava ‘Fundo Social’, mas não especificava qual instituição social seria paga. O orçamento já aprovado deveria cobrir essas despesas, mas não conseguimos identificar qual instituição ele queria pagar”, afirmou um vereador. “Quando pedimos a especificação, a resposta foi vagamente formulada. O secretário de Economia deveria ter discriminado melhor, mas as informações vinham de forma imprecisa. Pagamento de pessoa jurídica ou pessoa física eram citados sem a devida identificação, o que permitiria ao Executivo pagar qualquer um sem justificativas claras”, ressaltou.
A falta de detalhamento, de acordo com os vereadores, gerou insegurança para aprovar o projeto integralmente, especialmente em um momento de transição política no município, em que o prefeito eleito Márcio Corrêa assumirá a gestão em janeiro de 2025.
A situação é intensificada pelo cenário político atual, com Roberto Naves no final de seu mandato e o prefeito eleito Márcio Corrêa preparado para assumir o cargo. Nos bastidores, especula-se que a divergência em torno da suplementação orçamentária tenha se tornado mais um capítulo da disputa entre as bases políticas do prefeito atual e do futuro gestor.
Aliados de Naves apontaram que os vetos ocorreram por articulação de vereadores alinhados a Corrêa, que teriam interesse em criar dificuldades para o fechamento das contas da atual gestão. Por outro lado, aliados de Corrêa afirmam que o Executivo municipal não apresentou dados confiáveis, o que gerou desconfiança sobre o destino dos recursos.

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