Vereador investigado por rombo na Cultura foi alvo no escândalo de fraudes no Mutirama
Em 2015, também chegou a ser preso acusado de envolvimento em desvios de contribuições do INSS na antiga Companhia de Obras do Município de Goiânia (Comob)

A prisão do vereador e ex-secretário municipal de Cultura de Goiânia, Zander Fábio, dentro de uma missa na Matriz de Campinas, reacendeu uma longa sequência de escândalos envolvendo o político. Investigado agora por suposto desvio de mais de R$ 1,5 milhão em contratos de eventos de carros antigos, Zander já havia sido preso e condenado em outras operações ligadas ao uso irregular de dinheiro público.
Em 2017, Zander foi alvo da Operação Multigrana, que investigou um esquema de desvio de dinheiro da bilheteria do Parque Mutirama. Na época, ele era secretário municipal de Turismo e responsável pela administração do parque. A Justiça determinou que ele e outros investigados devolvessem mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos. Zander recorreu da decisão.
Dois anos antes, em 2015, ele chegou a ser preso acusado de envolvimento em desvios de contribuições do INSS na antiga Companhia de Obras do Município de Goiânia (Comob), onde ocupava o cargo de diretor financeiro. Também naquele caso, houve condenação para devolução de recursos públicos.
Apesar das acusações, a defesa de Zander Fábio afirma que o ex-secretário “jamais participou de qualquer esquema de desvio de recursos públicos” e sustenta que não existe demonstração de enriquecimento ilícito ou recebimento de vantagem indevida.
Investigações atuais
A nova ofensiva da Polícia Civil aconteceu nesta terça-feira (28), durante operação que apura um esquema de fraudes em contratos realizados em 2024, na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz. Segundo os investigadores, empresas de fachada eram usadas para receber recursos públicos destinados à realização de exposições de veículos antigos em Goiânia.
Além de Zander, também foram presos temporariamente Elton da Silva Nogueira e Jean de Jesus Magno Lima e Silva. De acordo com a polícia, o trio faria parte de uma associação criminosa que direcionava verbas públicas para empresas sem estrutura, experiência ou capacidade técnica para executar os serviços contratados.
A investigação aponta que existiam dois núcleos no esquema: um político e outro privado. No núcleo político, Zander Fábio, então secretário de Cultura, teria atuado diretamente no direcionamento dos recursos públicos. Já o núcleo privado era comandado, segundo a polícia, por Jean de Jesus, presidente da ONG Instituto Vida e também da associação Clássicos Goiânia.
Conforme o inquérito, parentes, amigos e pessoas ligadas à associação eram usados para abrir empresas que recebiam os pagamentos da prefeitura. Pelo menos 41 transferências foram identificadas apenas em 2024, somando mais de R$ 1,5 milhão.
Os investigadores afirmam que os depósitos apresentavam padrões considerados suspeitos, como pagamentos feitos no mesmo dia e com valores idênticos. Muitas das empresas funcionavam em residências e foram encerradas logo após receberem dinheiro público.
A Polícia Civil também chamou atenção para o baixo custo dos eventos realizados. Segundo os investigadores, as exposições tinham estrutura simples, com poucos banheiros químicos, palco pequeno e atrações musicais. Os próprios donos dos carros participavam voluntariamente das mostras.
Mesmo assim, os eventos movimentaram grandes quantias da prefeitura e contavam com apoio político. Em 2024, o então vereador Leandro Sena destinou uma emenda parlamentar de R$ 568 mil ao Instituto Vida, presidido por Jean de Jesus. O instituto e a associação Clássicos Goiânia apareceram como apoiadores de pelo menos cinco eventos realizados entre março e novembro do ano passado.
Em algumas apresentações, o próprio Zander Fábio subia ao palco para cantar durante os encontros de carros antigos.
Durante a operação desta terça, a polícia também apreendeu objetos de colecionador que estariam em nome de “laranjas”, mas que supostamente pertenceriam a Zander.
Os advogados afirmaram ainda que confiam no esclarecimento dos fatos durante o andamento do processo.
As defesas de Leandro Sena e Jean de Jesus não se manifestaram até a última atualização desta reportagem. A reportagem também não conseguiu contato com a defesa de Elton da Silva Nogueira.

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