Servidor da Alego que mandou sequestrar empresário paulista planejava fuga internacional
Antes da prisão, o ex-assessor chegou a publicar em suas redes sociais uma foto no aeroporto com a legenda “até breve, Brasil, partiu”.

O ex-assessor comissionado da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Josemar Alencar Linhares de Oliveira, foi preso na manhã desta quinta-feira (3) no Aeroporto Internacional de Brasília, suspeito de ser o mentor intelectual de um sequestro relâmpago contra um empresário paulista em Goiânia. A prisão foi realizada por policiais do Grupo Antissequestro da Polícia Civil de Goiás, em parceria com a Polícia Federal.
Segundo as investigações, Alencar pretendia fugir para os Estados Unidos. Antes da prisão, o ex-assessor chegou a publicar em suas redes sociais uma foto no aeroporto com a legenda “até breve, Brasil, partiu”. A polícia descobriu que ele embarcou para Miami no dia 1º de julho, mas foi impedido de ingressar em território norte-americano após articulação entre a Polícia Civil e a PF. Ele retornou ao Brasil e foi detido assim que desembarcou.
O crime
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima, um empresário de São Paulo, relatou que conheceu Alencar em uma convenção de negócios. O suspeito teria atraído o empresário a Goiânia com a promessa de parcerias no ramo de soluções financeiras. Assim que chegou, foi combinado um encontro para o dia 25 de junho, mas Alencar teria remarcado para o dia seguinte e, na nova data, enviado outro homem em seu lugar.
Câmeras de segurança registraram o momento em que o intermediário chegou de carro à porta de um hotel para buscar o empresário. Nas imagens, é possível ver o homem de terno preto pegando as malas da vítima e orientando que fossem colocadas no banco traseiro — e não no porta-malas, onde, segundo a vítima, havia outro criminoso escondido com uma arma. Assim que entrou no veículo, o empresário foi rendido, agredido e obrigado a fazer uma transferência via Pix de R$ 6.800. Ele foi libertado horas depois em uma estrada na GO-020.
Após a denúncia, equipes da Polícia Militar localizaram os suspeitos perto de Catalão. Houve confronto, resultando na morte de dois executores. No carro usado pelo grupo foram apreendidas armas, objetos relacionados ao crime e até o terno supostamente usado no momento do sequestro.
Segundo o delegado Samuel Moura, responsável pelo caso, Alencar admitiu envolvimento, mas alegou ter sido motivado por uma suposta dívida de meio milhão de reais em bitcoins com a vítima. A versão ainda será investigada. “Ele contratou executores para obrigar a vítima a pagar o valor, mas a ação criminosa foi interrompida pela polícia”, afirmou o delegado.
Com a prisão de Josemar e dois suspeitos mortos, outro integrante do grupo ainda é procurado. A Polícia Civil acredita que ele seja de Minas Gerais.
Em nota, o presidente da Alego, Bruno Peixoto (UB), informou que o servidor foi exonerado na sexta-feira (27), assim que a Polícia Legislativa teve conhecimento do caso.

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