Professor é espancado por pai de aluna por causa de "celular em sala de aula"; veja vídeo
O professor foi brutalmente agredido com pelo menos nove socos e pontapés, na tarde dessa segunda-feira (20), no Centro Educacional 4 (CED) do Guará, no Distrito Federal

Um professor de matemática de 53 anos foi brutalmente agredido com pelo menos nove socos e pontapés pelo pai de uma aluna, na tarde dessa segunda-feira (20), no Centro Educacional 4 (CED) do Guará, no Distrito Federal. A violência ocorreu na sala de coordenação da escola, após o docente advertir a garota por usar o celular durante a aula.
O caso, que chocou a comunidade escolar, foi parcialmente registrado em vídeo e teve a intervenção surpreendente da própria filha do agressor, que imobilizou o pai para proteger o educador.
O incidente teve início quando o professor, que possui 25 anos de experiência em sala de aula e preferiu não se identificar, advertiu a estudante sobre o uso indevido do aparelho celular. Horas depois, o pai da aluna compareceu à instituição de ensino para "tirar satisfação" sobre a situação. Segundo relatos, o agressor alegou ter recebido uma mensagem da filha, na qual ela afirmava ter sido vítima de xingamentos por parte do professor.
Testemunhas gravaram parte da agressão, que mostra o homem segurando o docente pela gola da blusa enquanto desfere uma série de socos. Estudantes e outros funcionários aparecem nas imagens, visivelmente chocados, tentando conter o agressor. Em um momento de desespero, a própria filha do homem, aluna da escola, interveio de forma decisiva: ela aplicou um "mata-leão" no pai, conseguindo derrubá-lo no chão e interromper o espancamento. Em seguida, os alunos presentes e um outro professor auxiliaram a segurar o agressor. A garota, em prantos, é vista questionando o pai sobre o motivo da agressão ao seu professor.
O professor agredido relatou à Polícia Militar, acionada para atender a ocorrência, que foi atacado com socos e pontapés.
"Pelo próprio vídeo, a gente vê que nem a filha imaginava que o pai iria fazer aquilo comigo. Fui pego completamente de surpresa. Não deu tempo de reagir. A única coisa que eu fiz foi me proteger para ele não acertar meu rosto", contou o docente, visivelmente abalado. Ele mencionou ter sofrido escoriações pelo corpo e teve seus óculos quebrados durante a agressão.
O impacto psicológico do ocorrido é profundo para o educador.
"Passar por uma humilhação dessas é algo inacreditável. Fica só tristeza. Eu infelizmente vou ter que me afastar da sala de aula, porque estou sem condição psicológica alguma de voltar ao trabalho", lamentou o professor, que afirmou ser a primeira vez em sua carreira que sofre uma agressão.
Após a chegada da Polícia Militar, as partes envolvidas foram conduzidas à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul). Lá, foi registrada uma ocorrência por desacato, injúria e lesão corporal. O agressor assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e se comprometeu a comparecer em juízo quando for intimado.
Em nota oficial, a Secretaria de Educação do DF (SEEDF), por meio da Coordenação Regional de Ensino do Guará, informou que o caso será encaminhado à Corregedoria da Secretaria de Educação para a devida apuração dos fatos e adoção das medidas cabíveis. A SEEDF reforçou seu repúdio a qualquer forma de violência no ambiente escolar e reiterou seu compromisso em dialogar com a comunidade, priorizando sempre a promoção de uma cultura de paz.
A situação levanta importantes discussões sobre a segurança nas escolas e a escalada da violência no ambiente educacional.

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