Polícia revela detalhes: mulher viu amigos serem executados antes de morrer
Leonardo, o autor do crime, permanece internado no Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugol), sob escolta policial.

Quando policiais chegaram ao local, encontraram Nahtan e Beatriz mortos na chácara. Jaine dentro do carro.
A Polícia Civil revelou novos detalhes sobre o triplo homicídio ocorrido em uma fazenda de Goiatuba, no sul do estado. Em entrevista à Record Goiás, o delegado-geral André Ganga afirmou que as investigações apontam que o crime foi motivado por ciúmes e detalhou, pela primeira vez, a sequência dos assassinatos, como o suspeito descobriu onde as vítimas estavam e os momentos que antecederam as mortes.
Segundo a investigação, o autor do crime, agrônomo Leonardo Sena, de 44 anos, mantinha um relacionamento com Jaine Barbosa Chaves havia cerca de dois anos. A Polícia Civil apura se ela já sofria violência física ou psicológica durante a relação e se havia tentado romper o relacionamento antes do crime.
De acordo com Ganga, a polícia apurou que pessoas conhecidas do suspeito o informaram que Jaine havia sido vista com Nahtan Moraes Dutra Campos, de 35 anos, em um bar de Goiatuba. A partir dessas informações, ele foi até a chácara, local que também conhecia, onde encontrou Jaine, Nahtan e Beatriz Soares de Souza, de 27 anos, reunidos. Não havia festa no momento, apenas os três confraternizando.
A Polícia Civil ainda investiga se Leonardo já vinha monitorando a companheira e se o crime foi planejado ou se ocorreu após uma crise de ciúmes ao encontrá-la com Nahtan. Para esclarecer essa dúvida, os investigadores realizam a extração dos celulares dos envolvidos e ouvem familiares e amigos.
A sequência dos assassinatos
Conforme o delegado-geral, Nahtan foi a primeira vítima. Leonardo teria efetuado um disparo pelas costas e, em seguida, outro na nuca do homem. Logo depois, atirou contra Jaine, que ficou ferida, mas conseguiu fugir. Em seguida, perseguiu Beatriz até um dos quartos da propriedade e efetuou um disparo no peito dela, que morreu no local.
A investigação aponta que Jaine presenciou parte da execução dos amigos. Ela foi baleada antes de Beatriz ser morta e, mesmo ferida, permaneceu viva.
Jaine conseguiu pedir ajuda antes de ser morta
Após os assassinatos de Nahtan e Beatriz, Leonardo colocou Jaine dentro de um carro e passou a circular pela zona rural de Goiatuba. Durante o trajeto, ela conseguiu enviar uma mensagem para a irmã relatando que havia sido baleada e compartilhando a localização onde estava. Foi esse contato que levou a família a acionar a polícia.
Segundo André Ganga, ainda não está esclarecido se Jaine foi obrigada a fazer contato com os familiares ou se conseguiu enviar a mensagem sem que o suspeito percebesse. Esse ponto segue sendo investigado.
Após o pedido de socorro, Leonardo efetuou mais quatro disparos contra Jaine dentro do veículo, atingindo principalmente a região do tórax, segundo informações preliminares da perícia. Ela morreu ainda no carro.
Tentativa de suicídio e prisão
Depois de matar as três vítimas, Leonardo entrou em contato com a ex-esposa. A Polícia Civil investiga a informação de que ele teria informado que tiraria a própria vida e pedido que ela utilizasse cerca de R$ 8 mil para custear seu sepultamento. O conteúdo da conversa ainda será confirmado por meio da extração dos celulares.
Em seguida, ele atirou contra o próprio peito com um revólver calibre .22. Quando policiais chegaram ao local, encontraram Nahtan e Beatriz mortos na chácara. Pouco depois, localizaram o carro com Jaine já sem vida e Leonardo gravemente ferido.
Leonardo permanece internado no Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugol), sob escolta policial. Segundo o delegado-geral, ele está preso e, caso sobreviva, será encaminhado diretamente ao sistema prisional.
Feminicídio e duplo homicídio qualificado
A Polícia Civil informou que o caso é investigado como feminicídio em relação à morte de Jaine e homicídio duplamente qualificado pelas mortes de Beatriz e Nahtan, por motivo torpe e por impossibilitar a defesa das vítimas. A Delegacia de Goiatuba conduz o inquérito com apoio da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH) e do setor de inteligência da corporação.
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