Golpes virtuais crescem 20% em Goiás; idoso perdeu R$ 209 mil em fraude
Em vez de roubos e furtos tradicionais, organizações criminosas têm investido cada vez mais em fraudes digitais, que permitem atingir um grande número de vítima

A investigação da Polícia Civil de Goiás resultou, nesta quinta-feira (30), na prisão de três suspeitos durante uma operação realizada no Espírito Santo.
Os golpes virtuais continuam em expansão em Goiás e já figuram entre as principais modalidades de estelionato praticadas no estado. Dados da segurança pública mostram que, apenas em 2025, foram registrados 5.691 casos de estelionato por meio eletrônico, contra 4.733 ocorrências em 2024, um aumento de aproximadamente 20%.
O crescimento acompanha uma mudança no perfil da criminalidade. Em vez de roubos e furtos tradicionais, organizações criminosas têm investido cada vez mais em fraudes digitais, que permitem atingir um grande número de vítimas com menor risco de identificação.
Um dos casos mais recentes ocorreu em Goiânia, onde um aposentado de 74 anos perdeu R$ 209 mil ao cair no chamado golpe da falsa central bancária. A investigação da Polícia Civil de Goiás resultou, nesta quinta-feira (30), na prisão de três suspeitos durante uma operação realizada no Espírito Santo.
Como o golpe foi aplicado
Segundo o delegado William Bretas, da 4ª Delegacia Distrital de Goiânia, o idoso recebeu uma ligação de criminosos que se passaram por funcionários da instituição financeira onde mantinha conta.
Durante a conversa, os golpistas afirmaram que haviam identificado movimentações suspeitas e convenceram a vítima de que seria necessário realizar procedimentos para impedir supostas fraudes.
Acreditando estar protegendo o próprio patrimônio, o aposentado acessou o aplicativo bancário e realizou diversas operações orientadas pelos criminosos. Na prática, porém, autorizava transferências para contas controladas pela organização criminosa, acumulando um prejuízo de R$ 209 mil.
Investigação chegou ao Espírito Santo
Após o registro da ocorrência, a Polícia Civil iniciou o rastreamento das movimentações financeiras e identificou que parte do dinheiro havia sido enviada para uma conta vinculada a uma empresa registrada na Grande Vitória, no Espírito Santo.
Com apoio da Polícia Civil capixaba, uma operação foi deflagrada e terminou com a prisão de uma mulher e dois homens apontados como integrantes da estrutura financeira da quadrilha.
De acordo com as investigações, a mulher seria responsável por abrir empresas utilizadas para disponibilizar contas bancárias ao grupo criminoso. Já os outros dois investigados forneciam essas contas para os integrantes da organização que atuavam em São Paulo, de onde eram realizadas as ligações para as vítimas.
Ainda segundo a Polícia Civil, o dinheiro era rapidamente distribuído entre diversas contas de pessoas físicas e jurídicas, prática conhecida como pulverização, utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos.
Os presos deverão responder por estelionato mediante fraude eletrônica, associação criminosa, lavagem de dinheiro e utilização de contas bancárias para a prática de crimes.
Goiás está entre os estados com maior incidência
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 colocam Goiás entre os estados com maior incidência de estelionatos eletrônicos do país.
O estado registrou uma taxa de 1.075,6 ocorrências para cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Espírito Santo.
O estudo aponta que o avanço desse tipo de crime reflete uma mudança na atuação das organizações criminosas, que passaram a investir em golpes aplicados por telefone e internet, capazes de alcançar milhares de vítimas simultaneamente.
Entre as modalidades que mais cresceram estão as fraudes por personificação, quando criminosos fingem ser funcionários de bancos, empresas, órgãos públicos ou até familiares das vítimas. Segundo o levantamento, esse tipo de golpe teve crescimento de cerca de 140% em 2025.
Falsa central bancária está entre os golpes mais frequentes
O golpe sofrido pelo aposentado em Goiânia é considerado um dos mais comuns no país.
Nessa modalidade, criminosos entram em contato por telefone ou aplicativos de mensagens informando que foram detectadas compras suspeitas, invasões na conta bancária ou falhas de segurança.
A partir disso, convencem a vítima a fornecer senhas, códigos de autenticação ou realizar transferências bancárias, acreditando que está protegendo o próprio dinheiro.
Além da falsa central bancária, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento de golpes envolvendo WhatsApp, falsas lojas virtuais, clonagem de cartões, fraudes via Pix e mensagens de SMS que simulam comunicações de bancos e órgãos públicos.
Polícia orienta população
O delegado William Bretas alerta que a principal forma de evitar esse tipo de crime é desconfiar de qualquer contato inesperado envolvendo movimentações financeiras.
Segundo ele, instituições bancárias não solicitam senhas, códigos de verificação nem orientam clientes a realizar transferências para contas de segurança por telefone. Em caso de dúvida, a recomendação é encerrar a ligação e procurar diretamente os canais oficiais do banco antes de realizar qualquer procedimento.
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