Polícia prende funcionários que se passavam por policiais para sequestrar “pacientes”
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após um dos "pacientes" morrer com um "mata leão" durante uma tentativa de internação em Goiás

Operação da Polícia Civil de Goiás interditou uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Abadia de Goiás (Região Metropolitana de Goiânia), na manhã desta terça-feira (1º). Além de funcionar de forma clandestina, um casal, apontado como responsável pelo espaço, é suspeito de sequestrar e internar os pacientes de forma compulsória, sem atestado médico ou decisão judicial.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão e quatro de busca e apreensão, em Abadia e Goiânia. A polícia também prendeu três funcionários suspeitos de cometerem um homicídio durante a tentativa de internação de um homem de 35 anos, morador de Posse (região nordeste de Goiás). A vítima resistiu a internação e morreu asfixiado com um mata leão.
Segundo o delegado Humberto Soares, foi a partir desta morte que as investigações começaram. Cerca de 38 internos foram resgatados da clínica, sendo a maioria levada contra a própria vontade. O delegado explica que a família dos pacientes que entraram em contato com a direção do local e solicitaram o serviço, sem saber exatamente como os funcionários agiriam para levar a vítima.
“Eles puxaram a vítima, a colocaram dentro do carro e voltaram sentido Goiânia, mas perceberam que a vítima tinha morrido. Deixaram essa vítima no hospital de Simolândia, há cerca de 60 km de Posse, e disseram que ele havia tido uma overdose de cocaína”, contou o delegado. Em seguida, o trio fugiu.
Na clínica tinham pacientes de Goiás, Minas Gerais, Tocantins e da Bolívia. O casal dono da clínica e os funcionários presos podem responder por homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e associação criminosa.
Clínica
Familiares chegaram a pagar de R$ 2 mil à R$ 5 mil de mensalidade por um suposto tratamento contra as drogas, que na verdade nunca existiu. Em depoimento, os internos contaram à polícia que sofriam violência psicológica, verbal e eram constantemente dopados.
Nas o cumprimento dos mandados, a polícia apreendeu várias caixas de medicamentos que seriam ministrados sem acompanhamento médico e uma arma de fogo que seria do dono do da clínica. De acordo com o delegado, as condições do local eram insalubres e sem condições para dar um tratamento adequado.
“Não tinham acompanhamento de nenhum profissional de medicina ou enfermeiro. Os próprios internos que faziam os cuidados uns dos outros. Aquelas pessoas estavam sofrendo crime de sequestro e cárcere privado”, enfatiza Humberto Soares.

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