PMs teriam matado sete pessoas para esconder homicídio de empresário
Informação é do Ministério Público de Goiás (MPGO). Fábio Alves Escobar Cavalcante foi morto em 2021

Documento produzido pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) aponta que policiais militares presos durante a 'Operação Tesarac' são suspeitos de matar sete pessoas para se livrarem de provas relacionadas ao assassinato do empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante, ocorrido em junho de 2021, em Anápolis (55 km de Goiânia).
Foram presos, no âmbito da operação, os policiais Glauko Olivio de Oliveira, Marcos Jesus Rodrigues, Almir Tomás de Aquino Moura, Erick Pereira da Silva, Thiago Marcelino Machado, Adriano Azevedo Souza, Wembleyson Azevedo Lopes, Jhonatan Ribeiro de Araújo, Marco Aurélio Silva Santos e Rodrigo Moraes Leal.
A motivação do assassinato de Fábio Alves Escobar Cavalcante não foi divulgada. De acordo com informações que constam no documento, obtido pelo portal g1 Goiás, os militares teriam promovido falsos confrontos para eliminar testemunhas.
Na tentativa de encobrir o crime, foram mortos: Bruna Vitória Rabelo Tavares, Gabriel Santos Vital, Gustavo Lage Santana, Mikael Garcia de Faria, Bruno Chendes, Edivaldo Alves da Luz Junior e Daniel Douglas de Oliveira Alves.
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Denúncia e prisões
Policiais militares foram presos na terça-feira (19) durante a operação que investiga assassinatos em Anápolis e Terezópolis de Goiás.
Conforme a denúncia, uma testemunha chegou a dizer que o policial Glauko Olivio de Oliveira “plantou” uma arma de fogo, utilizada para matar Bruna Vitória Rabelo Tavares, a fim de atribuir a autoria do homicídio dela aos outros amigos mortos na ocasião - Gabriel Santos Vital, Gustavo Lage Santana e Mikael Garcia de Faria.
Além disso, o grupo de policiais é suspeito também de coletar informações prévias sobre as vítimas, como fotografia da placa de carro e localização em tempo real. Eles faziam o monitoramento e tinham até equipamento de rastreamento eletrônico, que foi colocado no carro de uma das vítimas.
As conversas de Marco Aurélio Silva Santos, Thiago Marcelino Machado e Adriano Azevedo Souza revelaram que os policiais militares envolvidos executaram um dos confrontos durante a noite, horário em que a rua ficaria com menos movimento de pessoas e carros.
Ainda de acordo com a denúncia, os policiais tinham movimentações bancárias incompatíveis com os rendimentos da Polícia Militar. Marcos Jesus Rodrigues, por exemplo, movimentou cerca de R$ 6 milhões de reais durante o período de 4 anos, enquanto que Almir Tomas de Aquino Moura movimentou R$ 5,8 milhões de reais.
Defesas
O advogado do policial militar Adriano Azevedo Souza afirmou, por meio de nota, que a prisão é desnecessária, pois o investigado é honrado e serviu a corporação por muitos anos. Já a defesa do policial Jhonatan Ribeiro de Araújo afirmou que irá se manifestar após ter acesso a todo o conteúdo da investigação.
A reportagem solicitou um posicionamento da defesa de Thiago Marcelino Machado e aguarda retorno. Além disso, a reportagem tentou localizar a defesa dos demais investigados, mas não obteve sucesso até o momento.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP), juntamente com as outras as Forças de Segurança afirmou, em nota, que "não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta”. A Corregedoria da PM-GO informou que abriu os os procedimentos legais cabíveis. Já o MP informou também por meio de nota que acompanha a investigação e que aguarda a conclusão da apuração para as providências cabíveis à instituição.

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