PF pede prisão de padre goiano acusado de desviar R$ 100 milhões de fiéis
A Polícia Federal entrou com pedido nessa quarta-feira (17) alegando encontro de um áudio que comprovaria compra de sentença que teria encerrado investigações do caso.

A Polícia Federal (PF) entrou com pedido de prisão preventiva no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o padre Robson de Oliveira, nessa quarta-feira (17), alvo da “Operação Vendilhões”, deflagrada em 2020, que investiga desvio de R$ 100 milhões, doados por fiéis, da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), em Trindade (27 km da Capital), que era administrada pelo religioso.
À época dos fatos o padre negou qualquer irregularidade e as apurações foram suspensas por decisão judicial.
O argumento usado pela PF para entrar com o pedido de prisão seria um áudio apreendido ainda à época da “Vendilhões”, onde, supostamente, aponta compra de sentença favorável ao religioso na Justiça de Goiás.
O ministro Benedito Gonçalves é o relator do processo. Até o momento não há definição sobre o acolhimento ou não do pedido. O caso entrou em segredo de Justiça.
A defesa de Robson de Oliveira confirmou o pedido de prisão encaminhada pela PF, no entanto já entrou com representação contra, sob alegação de que não existe base jurídica e os argumentos para o pedido são antigos.
“Não tem base jurídica nenhuma. Encontraram diálogos que suspostamente foram aprendidos na Operação Vendilhões. Segundo eles, revela a corrupção no TJGO. Tem diálogo do advogado que fala com fulano que sugere pagamento de vantagem no tribunal. Diálogo de advogado em processo cível, no caso da fazenda. Pegaram o diálogo e apontaram crime de corrupção”, afirmou o jurista ao Metrópoles.
Operação Vendilhões
O padre foi alvo de investigações do Ministério Público (MP) sobre supostos desvios de dinheiro, doados por fiéis da igreja, e administrado Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), que segundo as apurações, chegam à casa dos R$ 100 milhões destinados à construção da nova basílica, em Trindade, que ainda segue em fase inicial de obras.
A operação foi deflagrada em agosto de 2020, quando o religioso foi alvo de busca e apreensão.
O MP denunciou Robson à Justiça e apontou crimes de organização criminosa, apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O valor desviado teria sido usado na compra de fazendas, casa na praia e até um avião.
No entanto, as investigações foram interrompidas sob ordem judicial.

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