Pastor é braço direito do Comando Vermelho em esquema de extorsão
O religioso já havia sido preso anteriormente em Minas Gerais transportando armas e explosivos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou, nesta semana, um esquema de extorsão que operava nos arredores da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e que envolvia diretamente integrantes do Comando Vermelho. O caso chamou atenção pelo papel desempenhado por um pastor evangélico, apontado como um dos principais articuladores do grupo.
Segundo os investigadores, o religioso se apresentava como líder comunitário e assumia a função de “funcionário público informal” do tráfico, intermediando as imposições do crime organizado às empresas locais. Ele atuava como uma espécie de porta-voz do t*c0**, criando uma falsa imagem de defensor dos interesses da comunidade — o que, segundo a polícia, servia apenas para legitimar as ordens da facção.
De acordo com o inquérito, o esquema envolvia diversas práticas de coerção contra empresários da região, entre elas:
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Proibição de estacionamento de caminhões em determinados pontos;
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Contratações forçadas de pessoas associadas ao t***c0;
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Cobrança de “t4x4s de convivência”, sob ameaça indireta;
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Infiltração de aliados da facção em setores estratégicos das empresas;
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Paralisação de atividades mediante “ordem comunitária”;
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Uso de sindicatos e associações de fachada para dar aparência legal às imposições.
As ameaças, segundo relatos, estavam sempre atreladas ao nome de Joab da Conceição Silva, apontado como liderança do Comando Vermelho na região. Em uma das ações, até a companheira de Joab teria sido contratada por uma empresa após pressão do grupo.
RISCO AO ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL
As autoridades alertam que o esquema representava ameaça direta ao abastecimento nacional de combustíveis, já que a Reduc é uma das refinarias mais importantes do país. A estratégia do grupo incluía a criação de obstáculos logísticos, intimidação de motoristas e interferência no funcionamento de empresas terceirizadas.
ANTECEDENTES CRIMINAIS
O pastor já havia sido preso anteriormente em Minas Gerais. Na ocasião, transportava armas e explosivos e afirmou que o material seria usado para “mediação sindical” em outra refinaria. A justificativa foi considerada inverossímil pela polícia e reforçou sua ligação com facções criminosas interestaduais.
INVESTIGAÇÃO SEGUE EM SIGILO
A Polícia Civil informou que parte das diligências ainda corre em sigilo. A suspeita é de que o grupo tenha tentáculos em outros estados e utilizava a fachada religiosa como estratégia de expansão.
Empresários da região relataram que as ameaças eram “veladas, mas constantes”, e que muitos aceitaram as imposições por medo. Um deles afirmou, sob anonimato, que “se não aceitasse, era o caminhão ou o funcionário que ia pagar o preço”.
O Ministério Público avalia pedir reforço federal na segurança da região da Reduc e a criação de um protocolo anticrime para empresas que operam próximas a grandes refinarias. A ideia é evitar que grupos se aproveitem de estruturas estratégicas do país para impor extorsões.
“O crime se sofisticou. Hoje ele se apresenta como representante comunitário, líder religioso ou mediador de conflito. Por trás disso há extorsão, ameaça e controle territorial”, afirmou um delegado envolvido no caso.
Caso segue em investigação. Novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.

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