Pai sequestra própria filha e interna à força por disputa de herança em Goiânia
A vítima contou aos policiais que foi surpreendida por quatro homens quando caminhava pela Avenida T-28, no Setor Bueno, por volta das 15h50

Uma mulher de 43 anos foi resgatada pela Polícia Militar após ter sido sequestrada e levada à força para uma clínica de reabilitação, na tarde deste domingo (2), na capital goiana. O crime, segundo as investigações iniciais, teria sido planejado pelo próprio pai da vítima, um homem de 64 anos, motivado por uma disputa de herança deixada pela avó da família, falecida há cinco dias. Três homens contratados para executar o sequestro foram presos em flagrante.
A vítima contou aos policiais que foi surpreendida por quatro homens quando caminhava pela Avenida T-28, no Setor Bueno, por volta das 15h50. O grupo a imobilizou e tentou colocá-la dentro de um veículo prata, sem dar qualquer explicação. O destino, segundo o relato dos suspeitos, seria uma clínica de recuperação localizada no Jardim Privé das Oliveiras, próximo ao bairro Madre Germana II.
De acordo com o boletim da Polícia Militar, a mulher conseguiu pedir ajuda durante a abordagem e, com auxílio de testemunhas, acionou o serviço de emergência. Após cerca de duas horas de buscas, os agentes localizaram os envolvidos na GO-040, no Setor Garavelo, por volta das 18h25. Os três homens — de 23, 36 e 39 anos — confessaram que haviam deixado a vítima na Casa de Acolhimento Save New Life, em Aparecida de Goiânia, e que ela seria transferida posteriormente para outra unidade, em Trindade.
O caso chamou atenção pela frieza e pelo grau de detalhamento do planejamento do crime. Durante as investigações, os policias encontraram mensagens de áudio enviadas por um representante da clínica contratada, que orientava o grupo passo a passo sobre como conter a mulher.
Nos áudios, o homem descreve a abordagem com objetividade e tom profissional: indica como os sequestr deveriam imobilizar a vítima sem deixá-la ferida e reforça que a ação deveria ser direta, sem diálogo prévio. Em outro trecho, cita os valores combinados com o pai da mulher — R$ 400 referentes à “remoção” e R$ 1,6 mil pela “matrícula” na clínica.
A mulher afirmou que não faz uso de drogas e explicou que está em acompanhamento médico em razão de um quadro de depressão aguda. Segundo ela, a internação forçada foi uma tentativa de retirá-la do controle de bens deixados pela avó, cujo inventário ainda está em discussão. O pai, por sua vez, alegou que agiu por preocupação com o suposto envolvimento da filha com entorpecentes.
Fontes da Polícia Civil informaram que os três suspeitos já foram autuados por sequestro e cárcere privado e permanecem à disposição da Justiça. O nome da clínica, que teria concordado em receber a paciente sem autorização judicial, foi incluído nas apurações por possível prática irregular.
O delegado responsável pelo caso, que pediu para não ser identificado até a conclusão do inquérito, afirmou que a situação revela um “cenário crítico” na fiscalização de casas de recuperação em Goiás. “Existem clínicas que funcionam na fronteira entre o tratamento legítimo e a violação de direitos fundamentais. Esse caso é um exemplo de como o aparato de internações forçadas pode ser usado como instrumento de abuso familiar”, disse o investigador.
A vítima foi resgatada em estado de forte abalo emocional e acompanhada por uma equipe policial durante o depoimento na Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia. O caso agora será conduzido pelo setor de sequestros e cárcere privado da Polícia Civil, que busca confirmar se o pai atuou como mandante direto e se houve participação administrativa da clínica na tentativa de internação irregular.

Irmãos de 9 e 4 anos são encontrados em situação de abandono em Goiás; veja vídeo
A mãe informou aos agentes que trabalha durante o dia e, por esse motivo, as crianças ficariam sozinhas em casa.
Esposa revela que homem morto a tiros na frente da filha devia agiota; assista
Esiel Cavalcanti, de 38 anos, estava acompanhado da filha pequena quando foi baleado; esposa acredita que dívida pode estar por trás do crime











