Pai que matou filhas e colocou fogo nos corpos deixa hospital, é levado para interrogatório e fica em "silêncio"
O delegado afirma que, durante a prisão, o acusado confessou à GCM que matou as meninas para se vingar da esposa. Entretanto, o advogado Djalma Alves orientou o investigado para manter o direito constitucional de ficar em silêncio

Ramon de Souza Pereira, 30 anos, que matou as filhas Mirielly Gomes Souza, 8 anos, e Cecília Gomes Souza, 4, a facadas e ainda ateou fogo nos corpos, teve alta do Hospital de Urgências de Goiás (Hugo), onde deu entrada com perfuração na barriga e na garganta, foi encaminhado a interrogatório, na tarde desta sexta-feira (26), na sede da Delegacia de Investigação de Homicídios, mas ficou em silêncio durante todo o tempo na frente do delegado Marcus Cardoso.
O delegado afirma que, durante a prisão, o acusado confessou à Guarda Civil Metropolitana (GCM) que matou as meninas para se vingar da esposa. Entretanto, o advogado de Ramon, Djalma Alves, aponta uma ilegalidade no momento da prisão e diz que orientou o investigado para manter o direito constitucional de ficar em silêncio durante o interrogatório à polícia.
Cardoso explica que Ramon foi ouvido informalmente e que a confissão à GCM não entrará no processo, apenas o interrogatório. Apesar do silêncio, o investigador afirma que há provas suficientes que comprovam a autoria e a motivação do crime.
“Ele pode falar o que quiser, pode mentir, pode negar e pode confirmar, mas já temos elementos que confirmam o crime”, destaca o delegado.
Entre as provas, o investigador aponta que o tênis de Ramon encontrado no local do crime, os áudios enviados por ele anunciando que se vingaria da esposa e as imagens das câmeras de segurança, que são elementos que serão usados no processo.
Além disso, diz que deve ouvir a avó materna das vítimas, um familiar do suspeito e o homem que teria sido encontrado pelo suspeito com a esposa dele.
“Nós também aguardamos o resultado das perícias no local do crime, na faca e dos exames cadavéricos e das lesões na esposa do suspeito. O inquérito será finalizado até a próxima quinta-feira (1º), quando o suspeito deve ser indiciado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa das vítimas e pela lesão corporal contra a esposa”, finaliza.
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Entenda o caso
Ramon teria encontrado a esposa com outro homem em Goianira, na tarde de segunda-feira (22), quando a agrediu com socos e chutes. O homem que estava com a mulher fugiu de moto.
Como a chave do carro dela estava na ignição, Ramon pegou o carro e fugiu. Buscou a filha de 4 anos em um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei). Cerca de 300 metros do Cmei, Ramon pegou a filha mais velha na escola.
O acusado, em seguida, comprou galão com gasolina e faca.
Ramon levou as meninas até Santo Antônio de Goiás, ligou para sogro, que gravou toda a ligação, e disse que se vingaria da esposa. Segundo o delegado, era possível ouvir as meninas no fundo chorando e dizendo que o pai estava colocando álcool no carro.
Ramon matou as meninas a facadas e colocou fogo no veículo.
Por volta de 20h, o fazendeiro Edmir Batista encontrou o carro ainda em chamas e acionou a polícia. Cerca de 70 policiais trabalharam nas buscas, fizeram uma varredura e a polícia conversou com parentes do casal.
No dia seguinte, terça-feira (23), por volta das 15h30, Ramon foi encontrado pela Guarda Civil Metropolitana em um lago na região do crime e foi encaminhado à delegacia.
Ramon conversou com o delegado, mas precisou ser levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). De lá, foi encaminhado ao Hugo, onde deu entrada com perfuração no abdômen e no pescoço, o que levanta a suspeita de tentativa de suicídio após os crimes.

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